Era madrugada do dia dois de agosto quando dois policiais que faziam a ronda na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, prenderam o estudante Vladimir Palmeira, levando-o para a Delegacia de Polícia e posteriormente para o DOPS, onde foi interrogado. O governo tirava de circulação a principal liderança do movimento estudantil daquela época, presidente da UME – União Metropolitana dos Estudantes e responsável pela organização das manifestações públicas realizadas no primeiro semestre de 1968.
A prisão de Vladimir gerou protestos de todos os setores da sociedade. Na imprensa registravam-se críticas à situação de incomunicabilidade do estudante preso e o cerceamento do direito de defesa. O escritor Hélio Pelegrino afirmou: “Vladimir Palmeira não é um marginal, mas o novo líder do povo brasileiro. Precisamos liberta-lo”.
Mais de dois mil estudantes saíram às ruas em passeata exigindo a libertação de Vladimir e protestando contra a repressão do regime militar. A passeata contou com a adesão de artistas, intelectuais e políticos. O centro do Rio parou. Tropas do exército ocuparam as ruas tentando impedir as manifestações. O senador carioca Marcelo Alencar, seu advogado, considerou um ato de violência inquestionável. Foi uma prisão sem mandado judicial, violando assim o mais elementar dos princípios legais.
Todas as faculdades do Rio de Janeiro suspenderam suas aulas em repúdio à prisão do líder estudantil, decretando greve geral por tempo indeterminado. No Brasil inteiro pipocaram manifestações de protesto.
No dia oito de agosto, por volta das nove horas da manhã, os estudantes de João Pessoa reuniram-se no Clube do Estudante Universitário, na Lagoa, para discutirem a mobilização de protesto contra a prisão de Vladimir e a política educacional do governo. Participaram do encontro representantes da UEEP, DCE, UNE e Grêmio Daura Santiago Rangel, do Liceu.
Com o clube completamente lotado os estudantes debatiam a tomada de decisão em relação a duas propostas: realização de passeatas pelas ruas da cidade ou instalar uma assembléia geral permanente na FAFI- Faculdade de Filosofia, transformando-a num QG do movimento. Prevaleceu a segunda alternativa, após acalorados e demorados discursos das lideranças presentes.
Quando a reunião estava se realizando tomaram conhecimento de que caminhões da PM, com aproximadamente cem soldados se posicionaram no início da avenida Padre Meira. Foi o bastante para provocar um clima de insegurança no local do encontro. Apesar do apelo dos líderes, tentando acalmar os secundaristas e universitários presentes, houve uma confusão generalisada, tipo “salve-se quem puder”, com muitos deles correndo em direção ao mercado central e outros dirigindo-se para a FAFI. Entretanto o contingente policial manteve-se distante do CEU, ficando apenas de prontidão para agir se necessário fosse.
Concluida a reunião ficou deliberado que dali iriam para a FAFI onde ficariam em assembléia permanente.
• Esse texto faz parte da série COMO A PARAIVA VIVEU O ANO DE 1968
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