Em algumas rodas da Paraíba e Brasília não se fala outra coisa que não seja o desfecho da aliança entre PT e PP a partir de João Pessoa e Campina Grande consolidando expressivamente as pré-candidaturas de Luciano Cartaxo e Daniela Ribeiro para a disputa municipal de 2012 com perspectiva real dessa composição se estender além de 2014.
Mas, em que pese a legitimidade da articulação política posta, há de se admitir que o saldo de tudo isso deixou setores políticos irritados porque na balança há perdas, especialmente para o grupo liderado pelo senador Vital Filho e o prefeito Veneziano Vital.
Na verdade, os dois líderes campinenses estão apopléticos, irados, acusando lideres petistas como Peron Japiassu como traidor quando, se espremer fortemente o caldo não há essa condição porque, como argumenta o parlamentar mirim, na campanha do PT o esquema da Prefeitura trabalhou fortemente contra ele para eleger Alexandre Almeida – e até hoje ele nunca passou isso na cara dos lideres pemedebistas.
A rigor, o PT de uma forma geral anda boquiaberta com a reação do senador porque tem muitos outros argumentos a expor, a partir da compreensão de que uma aliança política não pode ser entendida de forma eterna nem desprezar a possibilidade de que qualquer das partes exerça sua liberdade.
Aliança significa, na ótica petista, compromisso temporal podendo abrigar novos encaminhamentos a depender dos interesses dos atores. Por essa ótica, o petismo explica que só não terá conversa com PSDB, DEM e PPS – entretanto, dentro da base de apoio a Dilma pode exercer o entendimento com outro agrupamento, a exemplo do PT, porque o PT tem ambição de ampliar seus espaços nas cidades do Estado.
Por fim, consideram que o senador age ao sabor da emoção quando a lógica política exige valores em torno da razão e até expõem como realidade o projeto de disputa do líder campinense que, ao invés de abrigar seu irmão como Vice de José Maranhão para vencer a disputa de 2010 preferiu outro caminho se elegendo com legitimidade até atraindo para vitória com mandato sua mãe deputada Nilda Gondim.
O PT diz que manterá o tratamento ao senador como aliado, mas não abdicará de poder construir seu próprio caminho.
Lá no bairro da Torre, os meninos poliglotas diriam – “this is the question”.
O protesto pela audiência
Após horas de negociação, chegou ao fim nebsta segunda-feira o protesto de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Centro Administrativo do Estado, em Jaguaribe, na Capital. A negociação foi intermediada pelo secretário Chefe de Governo, Lindolfo Pires. Os cerca de 800 manifestantes deixarão o local por volta de meio-dia.
O grupo reivindicava uma audiência com o Governo do Estado para discutir a desapropriação de terras para o reassentamento de famílias. Uma reunião entre os manifestantes e o governador Ricardo Coutinho (PSB) foi agendada para a próxima quarta-feira (25), às 14 horas, no Palácio da Redenção.
Um mau costume em voga
Impressiona como somos surpreendidos com atitudes de parte de nossas lideranças com ímpeto e reação incompreensíveis para o tamanho e geração do que representam.
Imaginar líderes conservadores, já em fim de rama, reagir com voz e condição coronelista até que se admite, não para com quem tem idade e cabeça arejada e tanto combate práticas dessa natureza indesejável.
Não sabemos onde vamos chegar diante de quadros dessa natureza, mas retaliar por retaliar buscando imprimir estilo coronelista onde não há mais espaço é retroceder e isso infelizmente não constrói.
Ricardo que o diga.
ÚLTIMA
“Porque gado a gente marca/ tange/ ferra/ engorda e mata/
mas com gente é diferente…”