De repente, não mais que de repente, o deputado federal Luiz Couto (PT) assumiu de vez sua condição Salieri de fazer política. Ao invés de incorporar a nova realidade do Partido dos Trabalhadores em João Pessoa que, de forma exemplar, construiu a candidatura própria como opção para 2012, partiu no silencio dos últimos dias para o golpismo, a torcida contra, o compromisso com quem está fora do parâmetro partidário.
Nesta sexta-feira, por exemplo, ele colocou as unhas de fora, como se diz na Torre. Assumiu publicamente que está envolvido com a tática traíra de buscar derrubar o partido para favorecer o PSB, do qual deveria fazer parte – porque na essência age assim – cuspindo no prato que tanto come e comeu.
Segundo ele, há uma negociação realizada em nível nacional entre PSB e PT que pode implodir a candidatura própria do Partido dos Trabalhadores decidida democraticamente pela maioria dos filiados da legenda durante encontro.
Ele foi mais além: disse que respeita a decisão da tese vitoriosa, mas que a candidatura do PT ainda não existe e que a negociação entre PT e PSB para apoio dos socialistas a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo é prioridade do PSB está pedindo em troca o apoio em outras cidades, inclusive João Pessoa.
Que vergonha! Luiz Couto forjado nos bancos universitários e nas lutas pela redemocratização, oriundo das doutrinas do perdão, deixou-se ser tomado pelo misto de sentimentos mesquinhos – ora, à lá Salieri, que não permitia ver o genial Mozart ascender na sociedade, e de Ricardo Coutinho – outro a fazer no exercício do poder tudo contra o que pregava.
Melhor fez o ex-deputado Avenzoar Arruda – honrado e brilhante deputado federal petista posto que, ao discordar dos encaminhamentos partidários, pegou seu boné e se foi para nunca mais voltar assumindo sua verdade – diferentemente de Luiz Couto, hoje tomado de ódio irracional e contraprocudente desmanchando seu história inabalável de democrata, que democrata!
Só que, pelos dados de São Paulo e Brasilia, ele vai precisar tomar uma decisão simples: ou assume a candidatura própria do PT ou se prepare para conviver com a agucidade de processo na Comissão de Ética – esta, sim, a consolidar uma nódoa triste na sua vida político – partidária. Homem digno, sério, chega ao final de sua carreira política aplicando a marcha à ré, cujo avanço é a solidão.
Que pena!
Palavras do Frateschi, do PT Nacional
Como não sou filiado ao PT e considero que a instância estadual pode significar parte do interesse em questão, fui buscar no Secretário Nacional, Paulo Frateschi, a compreensão do que o Diretório Nacional está agindo diante da pressão do PSB.
Disse ele:
– A pressão de fato existe mas o PT não pode mais recuar do que foi construído em João Pessoa até porque o compromisso nosso com a candidatura à reeleição do prefeito Luciano Agra deixou de existir a muito tempo, por opção do governador da Paraiba, por isso não é mais possível retroceder – afirmou.