Junho/1968: Congresso dos homossexuais

 

Os homossexuais durante muito tempo foram vistos como transgressores sociais. Até a década de sessenta foram alvo de muitos preconceitos. Eram marginalizados, reprimidos e discriminados.

Mas aceitavam passivamente a situação de segregação social a que foram submetidos historicamente por todas as civilizações.

A revolução de costumes e comportamentos que eclodiu no ano de 1968, quando os movimentos sociais em defesa dos direitos das minorias ganharam discursos e práticas políticas, os negros, as mulheres e os homossexuais se organizaram e foram às ruas colocando publicamente suas posições até então rejeitadas pela sociedade.

Dois movimentos ocorridos nos Estados Unidos ganharam repercussão no mundo inteiro e estimularam a luta pelos direitos dos homossexuais. Uma, em São Francisco, na convenção da Associação Médica Americana, e outra, na Escola de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Colúmbia, onde se realizava um congresso sobre homossexualismo.

A luta buscava colocar a questão no debate público, transformando-o em tema a ser abordado em eventos organizados com o objetivo de promover a inserção do homossexual na sociedade, livre das pressões preconceituosas.

Organizados promoveram congressos no mundo inteiro, iniciando uma discussão que deu causa à derrubada de várias leis homofóbicas e conquistas de direitos civis.

Apesar dos jornais locais não noticiarem qualquer manifestação dos homossexuais na Paraíba, identificamos que um jornal de Salvador, A TARDE, registrava que em junho de 1968 teria acontecido em João Pessoa o I Congresso Estadual dos Homossexuais Paraibanos. O jornal baiano classificava-os como “enxutos”, numa linguagem que denotava uma linha preconceituosa.

Segundo o jornal o evento foi presidido por um ativista que teria desprezado seu nome de batismo, preferindo ser chamado pelo apelido de “Aurora Boreal”.

Uma extensa pauta, cujo temário discutia assuntos que se direcionavam á defesa dos seus direitos e de resistência à homofobia, foi cumprida entusiasticamente, merecendo ao final uma avaliação positiva dos seus promotores, decidindo, inclusive, que a reunião voltaria a ser realizada a cada dois anos.

Os congressistas elegeram o escritor Oscar Wilde patrono da classe e aprovaram voto de louvor ao parlamento inglês pelo reconhecimento oficial do homossexualismo, desde que praticado por adultos.

Portanto, mais uma vez a Paraíba se inseria no contexto dos acontecimentos revolucionários de 1968, oferecendo sua contribuição ao debate de um tema bastante polêmico.

• esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
• comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email: iurleitao@hotmail.com

 

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