Sexta-feira, cindo de abril, João Pessoa estava debaixo de chuva, o que não impediu os estudantes decidirem realizar nova passeata, ainda que sabendo da proibição divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.
No final da tarde, partindo do Restaurante Universitário, em grande número, os manifestantes chegaram ao Ponto de Cem Réis, ali realizando um comício relâmpago. Em seguida rumaram pela Visconde de Pelotas em direção à Praça Dom Adauto, conhecida como praça do bispo, aos gritos de “A LUTA É A LUTA”. A chegada ao local de uma viatura conduzindo soldados da polícia militar, foi recebida com vaias pelos manifestantes. Na Praça Dom Adauto novos discursos.
Resolveram então marchar para a Praça João Pessoa, onde alguns mais exaltados lançaram pedras contra o Palácio da Redenção, quebrando vidraças. A guarda do palácio disparou para cima, dispersando a passeata que voltou a se concentrar no Ponto de Cem Réis.
Segundo o jornal A União, “Os estudantes investiram contra o Palácio da Redenção, armados de pedras, quebrando as vidraças da porta principal da sede de governo. Dispersados pela guarda palaciana, desviaram a sua fúria para globos, lâmpadas e canteiros da Praça João Pessoa”.
Calculava-se em cerca de três mil estudantes o número dos participantes da passeata. Na intenção de retornarem ao Restaurante Universitário, saíram do Ponto Cem Réis, onde realizaram novo comício relâmpago, desceram pela Avenida Padre Meira. Ali ocorreu mais um confronto entre estudantes e policiais. Os policiais invadiram a Sorvetelanche 13 de Maio com o objetivo de baterem nos estudantes que naquele estabelecimento haviam se refugiado, promovendo um verdadeiro massacre. Garrafas, copos e cinzeiros foram quebrados pelos policiais e várias pessoas foram maltratadas a cassetetes. Na ocasião saiu ferido por uma coronhada de fuzil na boca, o funcionário da Caixa Econômica, Geraldo Pessoa de Medeiros. Encerrou-se aí, portanto, a passeata.
Por volta das vinte horas um choque da Polícia Militar ingressou no Restaurante Universitário, o chamado “território livre dos estudantes”, expulsando, na base da força, os comensais que se encontravam lá, quebrando o serviço de som e os discos com os hinos nacional, da bandeira e da independência, que vinham sendo executados durante todo o tempo em que ali se tornara o ponto central de concentração. O governo, portanto, dominava o espaço até então ocupado pelos manifestantes.
• esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
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