{arquivo}Alguma coisa precisa ser feita no núcleo decisivo do Poder estadual e municipal para chamar a atenção de seus líderes e, em ato continuo, fazendo com seus auxiliares deixem de promover tamanha série de bobagens, incivilidades, agressões e até retrocesso em vários níveis. É contra-senso, gera retrocesso.
Neste momento, de sexta-feira tranquila, atenho-me com imensa tristeza a uma análise que me dói como cidadão e analista político por atestar pobreza de foco e debate por parte do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, e do Secretário de Cultura, Chico César.
O primeiro, em pleno dia de aniversário transformou a data numa oportunidade de impropérios e agressões feitas à Bancada Federal da Paraíba, depois afunilando contra o senador Cícero Lucena e o deputado federal, Ruy Carneiro, de forma injusta e deselegante para não dizer agressão gratuita.
Acusar os dois parlamentares tucanos de marginais é ofender sem pé nem cabeça porque a argumentação de que eles trabalham contra emendas para João Pessoa é falsa, melhor dizendo, não é verdadeira. Os dois, por acaso até acompanhei a reunião da Bancada em Brasília, não só se dispuseram em favor do prefeito e da cidade, como do governo do Estado.
A prova maior está no relatório final em mãos do presidente da Comissão de Orçamento para, a partir da próxima segunda-feira, sistematizar o afunilamento das emendas, que de fato contemplam João Pessoa.
No caso de Chico, que falo (escrevo) já já, ele agora insiste em reproduzir o discurso purista de uma política cultural inexistente.
Efeitos de Agra
O inferno astral do prefeito tende a não se acabar com a data do aniversário porque vão existir desdobramentos desagradáveis à sua infeliz postura de agredir Cícero e Ruy.
De cara, deve motivar reunião extraordinária da Bancada, que voltará a se manifestar sobre o assunto nos próximos dias.
Do ponto-de-vista político gerou um cenário em que certamente produzirá a solidariedade do senador Cássio ao seu colega tucano levando-o com isso a se afastar do PSB, como um dia pretendia, até porque cada vez mais se consolida candidatura própria do PSDB na capital com unidade em torno do senador Cícero.
Tem mais, mas só conto depois.
A xenofobia contra o Axé e o Forró
Depois de um tempo fora da mídia, eis que o Secretário Chico César reaparece em cena soltando os cachorros contra o pessoal do Axé e do Forró – tratado por ele como de Plástico – ao dirigir recado aos prefeitos e dirigentes culturais de que no Carnaval não tem dinheiro para essa gente.
Como conceito, Chico insiste numa xenofobia atrasada que até agrada ao pessoal da MPB e cogêneres (seus parceiros conhecidos), mas anda na contramão porque a priorização de política em favor dos menos favorecidos (os artistas fora do Play List) não justifica a imposição de censura, sobretudo nos tempos de hoje, a qualquer que seja o modelo musical ou estético.
É querer tapar o sol com a peneira esta tentativa vã de se mostrar diferente proibindo estilos musicais indo de encontro à tendência do mundo moderno que cria e recria modelos, mesmo que a vida em si acabe preservando o que tem mais consistência.
Duvido que Chico barre sua amiga Daniela Mercury de cantos carnavalescos em Salvador se acaso chegar um pedido da produção da artista querendo repetir aquele show do Estação Nordeste agora num bloco bacana da Capital!
O pior é que essa pseudo polêmica, sem sentido e atrasada, apenas encobre uma vasta expectativa quase frustrada, que se arrasta em torno das políticas culturais do Estado – estas sim, desprovidas ainda de meios para atender a tantos anseios nos mais diferentes segmentos culturais do Estado.
Mas isso deixemos para uma outra oportunidade.
A propósito de Cultura
João Pessoa registrou na quinta-feira passada um dos atos culturais mais expressivos de todos os tempos no campo das artes plásticas com o lançamento, na Usina Cultural, do extraordinário compêndio sobre os 50 anos de Flávio Tavares, seguramente o artista plástico paraibano vivo mais influente dos últimos anos.
Quem acompanha minimamente a arte produzida a partir da Paraíba forçosamente precisa abrigar Flávio Tavares por sua dimensão além das cores, dos traços, das linhas e da imaginação somente fértil entre os geniais.
Para celebrar em vida o auge da carreira de Flávio, reconhecida internacionalmente, foram muitos artistas, críticos, intelectuais nos vários níveis e populares festejando a obra fantástica do filho de Dr Arnaldo.
Só que, infelizmente, na noite especial faltou grandeza e humildade aos Poderes estadual e municipal ao fazerem questão de estarem ausentes da festa como se a vida tivesse apagado o tanto quanto um dia a utopia de Flávio Tavares também serviu muito de trampolim para o salto de quem só reconhecia o artista quando precisava de seu encanto.
Mas, como a história e postura de Flávio Tavares são maiores, nada melhor do que seguir o caminho distinguindo o joio do trigo.
ÚLTIMA
“Quem perdeu o trem da história por querer/
Saiu do juízo sem saber/
Foi mais um covarde a se esconder/
Diante de um novo mundo...”
