Royalties: A República e o Nordeste

{arquivo}O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ao lado de lideres políticos insufladores, que bem lembram a era Carlos Lacerda , conseguiu resgatar o sentimento carioca de Oposição ferrenha à nova partilha do Pre-sal aprovada pelo Senado Federal. É tudo o que pode e afeta a essência do Brasil federativo e a busca de mais justo equilibrio social a envolver especialmente o Nordeste.

Particularmente, Sérgio Cabral sai politicamente fortalecido com as ocupações da Rocinha e Cia lhe dando estofo para peitar a presidenta Dilma e exigir dela que vete o projeto aprovado no Senado.

Alias, o senador Lindberg Farias já se antecipou dizendo que ela vai vetar. Se ele não obteve dela pessoalmente esta informação está claro que o Rio quer radicalizar contra o Governo Federal, mas na pratica afetando mesmo os demais estados do Brasil, especialmente do Norte e Nordeste.

Ora, se tudo isso é verdadeiro as lideranças do Nordeste – governadores, lideres políticos, empresariais, estudantis, etc precisam se levantar e reagir contra esse egoísmo histórico que o Rio insiste em praticar, talvez com saudades das regalias quando era Capital Federal por capricho da Família Real.

O Nordeste não pode se omitir, não pode calar muito menos permitir que o Rio se sobreponha a uma norma federativa, construída no debate democrático e que, na essência não afeta as conquistas tantas do Rio na questão do petróleo, embora com apoio de setores da mídia digam o contrario.

A hora é de reação à altura porque o Nordeste não pode abdicar da possibilidade real de reduzir as desigualdades através do Pré Sal, que é patrimônio da Republica Federativa do Brasil e não do Rio de Janeiro.

Para refrescar a memória dos esquecidos

Até a chegada da Familia Real ao Brasil, em 1808, o Nordeste era a capital do Pais e dominava com o Açucar a economia nacional, tanto que o primeiro transporte férreo puxado a traçao animal foi implantado em Recife – e nao em São Paulo ou Rio.

Como a Familia Real nao quis ficar em Salvador foi para o Rio de Janeiro onde se instalou criando todas as grandes condiçoes de crescimento naquele Estado. Tudo, essencialmente tudo de investimentos, foi implantado por lá.

E isto criou enorme fosso historico porque a Coroa esqueceu de vez do Nordeste. Dai o fosso social enorme, as mazelas ampliadas nos 9 estados nordestinos, por isso tantas rebeliões no curso da historia.

No inicio do Seculo XX, para piorar de vez, 80% da politica industrial implantada no Brasil a partir dos inventos ingleses ficou no Sudeste  – 44% ficou em São Paulo e os outros 36% no Rio.

Vejam que tamanho de desigualdade! Dai Sao Paulo espalhar a condiçao de Locomotiva diante do restante do Pais sem acesso ao processo industrial.

Juscelino, Celso Furtado e o resgate de Lula

Em dia de lembranças e celebraçao da Proclamaçao da República, ou se leva a sério este sentido constitucional ou nos depararemos sobre a prevalencia de privilegios historicos muitas das vezes afetando o Nordeste.

No Brasil continental foi preciso que o presidente mineiro Juscelino Kubstscheck transferisse a Capital para Brasilia, sob apulpos e campanhas violentas contra sua honra, para gerar a possibilidade equanime de Brasil melhor distribuido. Deus nos livre das infamias cariocas assacadas contra o digno presidente.

Aliás, foi com Juscelino que se abrigou pela primeira vez, depois que a Familia Real levou tudo para o Sudeste, a açao efetiva de criar meios de atendimento ao Nordeste com a sabedoria de Celso Furtado apontando caminhos e politicas de resgate economico e social.

Veio a Sudene e, antes dos problemas, criou-se açoes do Governo para reinserir o Nordeste como parte econômica do Pais.

Depois de Juscelino, só mesmo um nordestino poderia entender a imperiosa necessidade de agregar o Nordeste como parte da economia do Pais.Luiz Inácio Lula da Silva é o nome mais importante deste resgate histórico que não pode e nem vai parar. Dai a ascendente construção da retomada do desenvolvimento envolvendo os 9 estadosem nivel que nunca se viu em toda a História.

Por isso, a presidenta Dilma – que já perdeu pontos na preferencia entre nordestinos, conforme pesquisas, precisa entender e adotar como premissa que o Nordeste nao vai fraquejar diante dos apelos cariocas porque a divida social do Brasil para com os 9 estados ainda é enorme.

O Rio tem seus motivos para defender seus interesses, mas nunca a custa da redução das desigualdades que o Pre-Sal resolverá.

Quem viver, verá.

ÚLTIMA

Imagina o Brasil ser dividido/

e o Nordeste ficar independente…”

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