A dura constatação de Gonzaga Rodrigues

{arquivo}O “Doutor Honoris Causa” da Universidade Federal da Paraíba, também presidente interino da Academia Paraibana de Letras, Gonzaga Rodrigues, produziu nesta sexta-feira uma das mais fortes reflexões sobre a realidade atual das instituições e os intelectuais paraibanos em torno delas, muitos oriundos da Imprensa: “são na maioria pobres, mais ainda os intelectuais”.

Gonzaga fez esta leitura quando do lançamento da versão 2011 do Prêmio AETC, este ano homenageando com muita justiça o significado da jornalista Joana Belarmino, Doutora em Comunicação e professora da UFPB, um exemplo de vida e superação já que nasceu com deficiência visual, mas nada a impediu de ser capaz como profissional, militante política, mãe e referência na educação de terceiro grau.

De volta a Gonzaga: com jeito maneiro, voz rouca, pausada de estilo próprio, ele ensurdeceu meus ouvidos com tanta verdade dita para quem quisesse ouvir.

– Mesmo a API quando surgiu precisou de ajuda de comerciantes e do governador da época, José Américo de Almeida, para poder existir – revelou o Mestre queixoso porque até hoje não conseguimos gerar a auto sustentação capaz de ver o jornalista / intelectual viver com dignidade sem a necessidade da força do dinheiro oficial. Por isso mesmo exalta a iniciativa da AETC.

Depois, foi mais além, danou-se a fazer jornalismo comparado lembrando a fase anterior em que jornais da Europa e dos Estados Unidos, por exemplo, valiam pela compra de cada exemplar do leitor exatamente pelo conteúdo nele constante preferencialmente bem apurado, inteligente, plural e indispensável.

De fato, Gonzaga anda entristecido com essa realidade traumática dos que buscam viver da profissão entretanto precisando se adequar à inexorável condição social muito abaixo da sua importância e de outras categorias com mesmo teor intelectual.

A Imprensa na forma nutrida pelo viés utópico de Gonzaga não existe mais. Está guardada no túnel do tempo somente compreendida pelos que perpassaram pelas diversas gerações passadas – do Século XX com o linotipo, offset em diante até chegar aos instrumentos contemporâneos conduzidos pelo simples toque do dedo.

A dados de hoje, a leitura, o manuseio, a informação – tudo é veloz com a rapidez da luz que não mais permite a perda de tempo na formatação de processos demorados, como anteriormente, embora nada disso signifique ainda melhoria de vida para os profissionais da comunicação, os intelectuais paraibanos.

Mudaram as formas, mas o efeito capital – trabalho nem tanto assim, sobretudo porque cada vez mais de agora em diante o espaço de trabalho tradicional gradativamente vem sendo substituído por outros modos de vínculos trabalhistas.

Gonzaga nem viu, mas comentei cá comigo na saída: se não tivesse feito nada hoje já valeu a lição do meu vizinho mais velho da Rua Maroquinha Ramos, no bairro da Torre, perto da Igreja de São Gonçalo.

Certamente Maria Júlia (in memorian) deve ter é ficado feliz de ver dois poetas utópicos ainda pensando em felicidade coletiva.

A força divina e política de Joana Belarmino

{arquivo}Conheço a homenageada da AETC desde a fase de nova convivência entre os então alunos do DAC – Curso de Comunicação Social, lá pelo inicio dos idos anos 80, com tantos embates e debates importantes na API, Sindicato dos Jornalistas, nas redações e bares da descida da Lagoa forjando uma geração de personagens que começavam ali a interferir na vida política e intelectual da Paraíba, a partir de João Pessoa.

Joana era o grude da amiga jornalista Socorro Andrade, com quem dividiu dramas e comédias de sua vida desde os tempos de A União e, mais ainda o Jornal O NORTE – à época mais influente veiculo de comunicação do Estado.

Parece estar a vendo chegando com Socorro Andrade pedindo pautas ao grande chefe de reportagem, hoje dentista Júlio Santana, bem como do líder Carlos César, ainda com direito a ouvir piadas de Fernando Wallack e Mineirinho, outro protetor e grude de Joana quando queria ir fazer um lanche lá na barraca de Luiz Guarda e Socorro não estava por perto.

Este cenário é apenas um flagrante ilustrativo nem de longe alcançando a aura brilhante desta guerreira vencedora porque a marca de Joana ao longo dos tempos, até mesmo quando inventou ser interprete de MPB nos festivais do SESC, sempre foi a da superação.

No DAC ou nas assembléias acaloradas do Sindicato ou API, Joana sempre produziu sua verdade sem meias palavras. Logo cedo assumiu as bandeiras de luta por tudo o que significava a redemocratização neste Pais e das conquistas coletivas em solo paraibano.
Por isso, onde havia uma manifestação expressiva lá estava as “Parea” –Joana e Socorro Andrade com gritos de guerra. Depois vieram Neta, Sandra Moura, etc, cúmplices da vanguarda.

Mas, mais forte ainda foi mesmo intermediar a condição de professora universitária e mãe de duas belas jovens, fruto de relacionamento com o poeta Lau Siqueira, ampliando os horizontes do conhecimento conquistando Mestrado e Doutorado na área de comunicação com reconhecimento nacional de sua qualidade de produção intelectual.

Quem diria, é esta cidadã condutora de uma deficiência visual desde infância quem produz a leitura da vida e da superação com melhor brilho, muito mais do que muitos nascidos com olhos de visão limitada.

Joana Belarmino é a Cara da vitória feminina.
 

Umas & Outras

…O diretor da AETC, Mário Tourinho, fez explanação bem posta sobre o premio e seu significado.
…Outro bamba das Letras e da lucidez política, Rubens Nóbrega, ocupou espaço falando da homenageada.

…Ainda deu para ver ao lado o professor Doutor João de Lima bem como a Pro-Reitora para assuntos comunitários da UFPB, Lucia Guerra, representando Rômulo Polari.

…Fiquei feliz, muito feliz, por ser uma das testemunhas e companheiro de muitas lutas de Joana Belarmino ao lado de tanta gente bacana – muitas delas, como Socorro Andrade, sem nos vermos por tanto tempo.

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“Cada um dá o que tem…”

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