Para Duda, irmão de sangue e de fé
{arquivo}São dois assuntos extremamente diferentes, eu sei, mas no Dia dedicado às crianças busco um pouco de reflexão sobre como andam as milhares de crianças e adolescentes convivendo com o abandono. Depois, trato das estratégias articuladas pelo Secretário de Comunicação, Nonato Bandeira, visando dar visibilidade proativa ao Governo Ricardo.
No primeiro caso, eis que me senti envolvido logo cedo da manhã pela revelação de Vinicius Santos, mais do que filho reproduz a expressão da cumplicidade humana, tomado de ações que ele e um grupo do JC (Jovens com Cristo) bolaram para esta quarta-feira em Águas Lindas, em Alhandra, mais precisamente na comunidade “Filhos da Misericórdia”.
Devem passar o dia e tarde em torno de um considerável número de filhos abandonados e mães perdidas pelo desarranjo social. Conforta muito à alma deles e dos que acompanham atos de solidariedade,como eu, saber que ainda dispomos de voluntários a partilhar momentos de candura com quem mais precisa.
Mas, os números ainda são alarmantes. Todos os levantamentos mostram que as crianças e os adolescentes representam 34% da população brasileira, o que, em números absolutos, significa um contingente de 57,1 milhões de pessoas.
Em meio a essas estatísticas prova-se que erca da metade das crianças e dos adolescentes do Brasil – 48,8% e 40%,respectivamente – é considerada pobre ou miserável, pois nasce e cresce em domicílios cuja renda per capita não ultrapassa meio salário mínimo.
Tem mais: uma aproximação do quadro da infância e da adolescência brasileiras mostra outros problemas que reforçam ainda mais a situação de vulnerabilidade em que se encontram. Em 2000, as estimativas do IBGE apontavam que no Brasil em
torno de 20% das crianças de até um ano de idade não tinham sequer registro de nascimento, que é considerado o primeiro documento de cidadania.
Apesar da legislação brasileira restringir o trabalho de crianças e adolescentes, em 2002, de acordo com o IBGE, existiam 3 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 15 anos trabalhando no país.
Em 2001, o Ministério da Saúde registrou um percentual de óbitos por homicídio da população de zero a 18 anos incompletos equivalente a 4,4%, ou seja, aproximadamente 2,5 milhões de crianças e adolescentes morreram em função de danos ou lesões provocadas por terceiros.
Enfim, como se dá no caso da Paraíba, os dados do Sistema de Informações para a Infância e a Adolescência (SIPIA) coletados no âmbito dos conselhos tutelares, mostram que os principais agentes violadores dos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes são seus próprios familiares.
Até julho de 2002, do total das violações computadas pelo SIPIA, 57% haviam sido cometidas pelo pai, pela mãe ou por outra pessoa detentora da guarda da criança envolvendo nesses casos abusos sexuais dos próprios familiares..
A realidade mostra, entretanto, que a pobreza ou carência de recursos materiais não é suficiente para explicar com profundidade o fenômeno da violação de direitos da criança e do adolescente. A violência cometida contra a população infanto-juvenil não ocorre em todas as famílias que são pobres, assim como não é verdade que crianças e adolescentes oriundos de famílias de classes de renda mais elevadas estejam livres da vivência de maus tratos e da violação de direitos cometidos por seus familiares.
Em síntese, são estes segmentos de crianças e adolescentes que mais nos interessa neste momento identificar como os Governos de todos os níveis estão cuidando dessa gente, pois na ponta simbolizam o futuro da Paraíba e do Brasil.
Há casos e mais casos de ações voluntárias como delas participam jovens adultos, a exemplo de Vinicius, mas quando vamos ter de fato políticas publicas determinadas para sarar esta chaga de nossos caminho?
Por enquanto encontro-me sem resposta, entretanto vamos continuar cobrando de quem direito porque esta cena precisa sair de nossos olhos.
A nova estratégia da SECOM
Quem é do ramo sabe: o secretário de Comunicação do Governo, jornalista Nonato Bandeira, está na fase final de definições da nova fase que empreenderá na relação das ações do governador Ricardo Coutinho com a sociedade paraibana, através das inúmeras campanhas publicitárias advindas da licitação, recém concluída, envolvendo inicialmente R$ 18 milhões.
De forma objetiva, não se trata de grande volume posto que, por exemplo, este valor é menor do que prevê a Prefeitura de Recife. Mas, como o mercado publicitário e de comunicações paraibano/pessoense é escasso de altos volumes financeiros, eis que o montante chega numa hora de tirar muita gente do sufoco, como diria minha amada Maria Júlia, de sabedoria universal.
Mas Nonato não trabalha apenas com as agências vencedoras o conjunto de campanhas publicitárias no forno.
Há meses que, do Interior para o Litoral, ele vem formalizando acordos operacionais de mercado com emissoras de rádio (anotem as comunitárias), jornais, TVs, Blogs, Portais, etc no atacado ou no varejo com compromissos de cumplicidade.
É desta estratégia que brota a relação de diálogo retomada com a Rede Paraíba de Comunicação já surtindo efeito, assim como Blogs de radicalidade extrema em favor do ex-governador José Maranhão, agora compactuados dentro da estratégia do Governo de buscar reverter o acentuado desgaste ao longo dos nove meses.
Nos tempos de Brizola, os meninos da Torre diriam que ele está comendo a papa quente pelas beiradas, por isso já avança expressivamente.
Atentos, vamos acompanhar a tudo considerando o saldo normal lembrando a tese de que está “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
Com isso, quem perde é a Oposição pelo menos por enquanto.
ÚLTIMA
“Pensem nas crianças/
Mudas telepáticas/
Pensem nas meninas/
Cegas inexatas/
Pensem nas mulheres/
Rotas alteradas/
Pensem nas feridas/
Como rosas cálidas/
Mas, oh, não se esqueçam/
Da rosa da rosa”