A democracia, o pensamento único e o futuro

{arquivo}Sempre que posso, mergulho na história, nos fatos, na filosofia de tantos personagens, bem como no modelo de gestão política entre tantas sociedades do mundo para tentar entender melhor o que somos enquanto Pais, Estado e Município. Neste 7 de Setembro dediquei boa parte do tempo a novas leituras, isto depois de afagar imensamente Rafael, primeiro neto e luz de futuro, comemorando seu aniversário em família.

Pois bem. Como somos demandados no cotidiano via e-mail, celular, etc por tantos amigos para trocas de idéias sobre a conjuntura, eis que em determinado momento acabamos conversando sobre os personagens do Poder em voga, as várias visões sobre elas na perspectiva de se traçar um cenário futuro dessa gente.

Há casos e casos, nada é linear – como observam os filósofos do bairro da Torre, mas me chamou a atenção um texto de Ignácio Ramonet tratando do “Pensamento Único e os Novos Senhores do Mundo”.

Quanto ao universo a se observar, não há necessariamente que se fixar no tamanho da sociedade especifica, pois o que importa é a realidade e o personagem que acaso se queira avaliar.

De acordo com o doutor em semiologia e historia da cultura pela Escola de Altos Estudos de Paris, Ignácio Ramonet nas democracias atuais, cada vez mais cidadãos livres se sentem enganados, presos na armadilha desta doutrina viscosa que, imperceptivelmente, envolve todo o racionalismo rebelde. O inibe, o paralisa e acaba por afogá-lo. Há somente uma doutrina intencionada, a do pensamento único, autorizada por uma política de opinião onipresente e invisível.

Neste ensaio escrito em meados de 1995, Ignácio Ramonet, professor de teoria da comunicação audiovisual na Universidade de Paris VII e diretor do “Le Monde Diplomatique” descreve com vigorosa argumentação como grupos mais poderosos que os Estados se envolvem numa guerra de vida ou morte pelo domínio mais precioso da chamada “democracia” desde finais do século XX: a informação.

Descreve como a publicidade, as pesquisas e o marketing fazem a cabeça de todos a nosso redor. Poucos se dão conta e se rebelam. Segundo o Autor, “o poder político é miseravelmente um terceiro poder. Antes dele está o poder econômico e, a seguir, o poder da mídia. E quando se possui estes dois, haver-se com o poder político não passa de mera formalidade.”

Conforme avalia, aqueles que, nas grandes democracias, se envolvem em intermináveis atividades eleitorais para conquistar o poder, se arriscam, em caso de vitória, a experimentar um desengano semelhante ao dos soberanos das fábulas.

Sabem eles que, neste inicio de século, o poder mudou completamente de eixo? Que desertou destes espaços precisos que estavam circunscritos ao político? Acaso não correm o perigo de mostrar bem rapidamente e de público o espetáculo de sua impotência; de se verem obrigados a andar em círculos, retroceder, renegar suas opiniões e reconhecer que o verdadeiro poder decisório se encontra em outra parte, fora de seu alcance?

São reflexões como esta que me fazem perplexo por identificar quantidade expressiva de pessoas confusas, descontentes e atônitas porque, mesmo ainda abrigando a esperança de mudanças positivas no processo político da Paraíba, cada vez se deparam com a postura contraditória do parâmetro que se tinha sobre nossa liderança maior em passado recente.

Pois bem, no dia da Independência do Brasil deu para perceber que a liberdade plena ainda está distante do estágio tão esperado em nosso solo estadual porque, em nome da democracia, diversas são as ações geradoras de retrocessos no trato com as pessoas.

E isto causa dor no inconsciente coletivo diante do histórico que rememoramos, daí o desejo de superação.

Espero que muito antes de Rafael e Davi, netos queridos, estarem adultos em plena vida, a sociedade paraibana possa, enfim, desfrutar da tão decantada paz entre os homens de boa vontade.

Chega de guerra sem fim!
 

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