Nos últimos dias andei conversando muito com gente da Bahia, Alagoas, Piaui, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Sempre com pautas voltadas a projetos e ações reais que sinalizam pujança, desenvolvimento.
Com Pernambuco, a cena de cumplicidade é tamanha que não tem como deixar de estar mais por suas ruas, becos e ladeiras porque o significado de sua contemporaneidade enche o peito de qualquer um, mesmo não sendo pernambucano.
Nem vou entrar na questão econômica em si, porque é barbada, mas nesta sexta-feira chuvosa Gil Sabino (neo-pernambucano-paraibano) acabou mexendo com meu tutano irrequieto. A causa: a forma com que o Governo tem tratado o Festival de Inverno de Garanhuns.
Para se ter uma idéia, ano passado “ foram só” R$ 4,5 milhões de investimentos diretos mas em 2011 Eduardo Campos exagerou na boa dose: destinou simplesmente R$ 14,2 milhões.
Com todo o respeito a Chico César, esse montante significa quase 4 vezes mais o valor total do FIC (Fundo de Incentivo Cultural Augusto dos Anjos) para todo o ano de 2011.
Meus Deus do Céu, diria qualquer menino inquieto da Torre, por que diacho a gente não consegue deslanchar? Eu sei: só ousamos em fabricar lutas fraticidas, de auto-flagelo mesmo, onde mais importante é tentar acabar com o outro e não nos somarmos para ousar mais, muito mais na construção de um futuro de fato do tamanho que merecemos.
Vejam o que disse Eduardo Campos: “Antes o Festival recebia algo em torno de R$ 4,5 milhões, hoje ele recebe cerca R$ 14 milhões só aqui em Garanhuns. Isso porque entendemos que precisamos valorizar nossa cultura. A expressão cultural é hoje mais do que foi ontem e será mais amanhã”, garantiu Eduardo.
Na noite de abertura do FIG, artistas que fizeram parte da trajetória do homenageado Lula Côrtes, como Zé da Flauta, Laílson, Don Tronxo, Ortinho, Tito Lívio e Roger de Renor se juntaram às bandas Má Companhia e Triângulo do Poder para um grande tributo.
Mas, ao longo do Festival, entre os artistas que passarão pelo FIG, nomes da cena nacional e local como: Gal Costa, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Otto, Frejat, Bebel Gilberto, Marina Lima, Elba Ramalho, Seu Jorge, Beth Carvalho, Siba, Mundo Livre, Nação Zumbi, Marcelo Camelo, Tribo de Jah, Tulipa Ruiz, entre outros.
Sei não, mas que dá um sentimento de tristeza em constatar nossa inanição à base de ousadia diante da pujança pernambucana, isso sem dúvida bate forte no peito.
Com a palavra sua Excelência Francisco César Gonçalves, nosso gestor – mor da Cultura!
A propósito o que será feito com o Festival de Inverno de Campina Grande? Alguém poderia me ajudar a entender?

