A Paraíba amanheceu com novos ares. A segunda-feira, dia primeiro de novembro se espreme entre a data cívica de vitoria especial de Ricardo Coutinho, ontem, Domingo, e o Dia de Finados, amanhã, reproduzindo um sentimento diferente, onde perdura o contentamento sem igual de tantos e a tristeza de outros.
Um novo processo se apresenta para o futuro próximo exigindo de quem se credencia como vencedor com a responsabilidade de corresponder aos aliados mas precisando saber respeitar e conviver com quem não o seguiu.
A primeira entrevista do governador eleito Ricardo Coutinho o manteve aceso, altivo, guerreiro, mas movido ainda por sentimentos movidos ao retrovisor muito latente não dando abrigo sequer ao relaxamento merecido para comemorar a vitoria de coração mais leve.
Reproduzir o discurso áspero num momento de gloria é sinalizar distante da distensão de que precisará para por em prática seu projeto de mudanças no Estado aliando suas convicções com a sintonia máxima de relacionamento dos aliados de todas as horas e a sociedade de uma forma geral.
Em nível nacional, também ontem, Dilma Roussef manteve todos seus compromissos de futuro mas tratando os 43 milhoes que não votaram nela com aceno de quem quer dialogar sinceramente para superar as diferenças e somar esforços.
Foi mais longe: ao invés de renovar a guerra exposta por Serra que disse, a luta só está começando, Dilma estendeu a mão aos partidos, lideranças, etc deixando claro que governará com quem esteve com ela em todo processo, mas sempre buscando dialogo com todos porque governará exatamente para todos – e não só aos que lhe estiveram na campanha.
Dilma extraiu para perto de si o elemento da generosidade comum aos Estadistas que olham para frente, algo tão reproduzido e repetido por Ricardo – cujos acenos de primeira estão distantes desta assertiva de seu discurso e campanha.
Quem exagerou na tese da União, de novos tempos, não reproduzir na prática essa convicção e projeto pode ferir a oportunidade de distender o coração e a mente.
Ricardo está diante de uma oportunidade impar, histórica, cujo alcance será do tamanho do que será feito por seu sentimento humanista. Se reproduzir o desejo dos guerreiros ao lado, sempre defendendo a dizimação dos adversários, certamente que começará não quebrando o paradigma verdadeiro da mudança mais profunda, tão presente na ‘guerra’ que fez a Paraíba ficar dividida.
Só ele, só seu juízo e coração podem fazer a diferença e isso só o tempo dirá.