Quanto mais se aproxima o dia da eleição mais se avoluma a busca de participação no debate por parte de eleitores e leitores, inclusive da Coluna. É o caso do internauta Cláudio Stalker, que agora comenta o debate sobre a fé na atual conjuntura paraibana e nacional.
Leiamos o que ele diz:
“É lamentável que se use, em política, a fé e as concepções religiosas, sobretudo quando isto é feito eivado de cinismo e faturamento político. A fé pode ser, no caso do cristianismo, a dimensão da transcendência e da esperança num ser superior e onipotente que julga os atos humanos, sob o plano da justiça divina. O que é passageiro e finito torna-se universalidade criadora e eterna. Ao mesmo tempo, o cristianismo é uma religião ética: propõe a transformação na terra.
Em autêntica inspiração cristã, Santo Agostinho fez uma leitura institucional da igreja universal, estabelecendo como a política não pode ser confundida com a própria comunidade dos crentes. A cidadania divina vai longe e é bem mais radical do que o simples enfretamento de desafios imediatos. O cristianismo deve provar seu benefício e superioridade na terra, sendo o cristão aquele que inspira o que é bom, humilde e sincero. Os fatos de alegação dita criminosa, a intolerância e a eventual falta de respeito para com outras religiões e crenças, tudo isso é coisa que deve ser repudiada.
Contudo, é importante distinguir o ato incauto do ato planejado em política. Imensamente mais lamentável ainda é fazer da política a própria fé, esquecendo que um ato de polícia é um ato público e não a satisfação de um desejo privado do político. O que é mais condenável: o erro em fé, ou o a autovitimização de um candidato em busca de capitalizar um fato em seu favor?
O político deve se por em seu lugar como criatura humana, entender-se naquilo que ele é: um homem racional, bem educado e até autocrático. Ele não pode se dar ao luxo de recair na vala comum dos ditadores mais vis da história que se rebaixaram ao fosso demagógico extremo. A política é conjuntura, mas nem todo fato conjuntural deve ser foco de uma campanha política, sob pena de esquecermos inteiramente a lapidar importância dos valores democráticos e republicanos.
A exposição de propostas é o que a sociedade deseja ver, não é o esvaziamento da política por meio do uso ideológico de uma ação pública da polícia. Neste sentido, questiono: o irracionalismo da política em nosso estado não advém já da composição esdrúxula e incoerente das suas alianças? Tudo entende o paraibano em matéria de disputa entre o Cássio e Maranhão: essas cores encarnam o que são e são o que a Paraíba é. Cada um dos seus líderes tem méritos evidentes. Mas certamente estamos prestes a colocar no topo da direção política aquele que é e não é, que não sabemos se tem orientação guiada pelo sol ou pela lua. Então, a atitude do político que costura as suas alianças como se fossem uma colcha em fuxico – costura feita de retalhos de diversos tecidos – não constitui uma demonstração de racionalidade e consequência política.
Por isto, não é infundado que alguns tenham temor pelo nosso futuro, que temam que as tendências tradicionalistas da Paraíba venham a ser substituídas, mas não pela modernidade particular ao PSDB ou ao PT, sim por um homem sem partido, ou melhor, um homem cujo partido é ele mesmo, um coronel de poderes incomensuráveis.