A decisão de Fuba, Ricardo e a realidade

BRASILIA – Dos fatos políticos acompanhados daqui nesta quarta-feira, não posso me furtar a dizer que, em termos de Paraíba, o mais importante da cena política gerada a partir da Cultura, berço esplendoroso de nossas vidas, foi o anúncio pelo cantor, compositor, produtor cultural e mestre Flávio Eduardo Fuba rompendo formalmente com Ricardo Coutinho, desfiliando – se do PSB e passando a apoiar a candidatura à reeleição do governador José Maranhão.

Sem tirar nem por Fuba é na fase contemporânea da música e da produção cultural de João Pessoa o mais influente e festejado Homem da Cultura da canção carnavalesca, cuja essência em se tratando de doação e resultados na capital paraibana, é infinitamente maior do que a soma de um monte de gente, inclusive hoje ocupando a Funjope – o quartel general do purgatório ideológico sem sentimento nem contemplação ao conjunto dos que se opõem à conduta á lá Stalin.

O gesto de Fuba causou encantamento para uns e furor para outros, especialmente o candidato ao Governo, Ricardo Coutinho, ao ver um dos mais importantes apoiadores de sua vida política, o maior de todos na cultura da Capital, afastar –se definitivamente da sua guarida política, aliás ao longo dos últimos tempos recheada de desfalques.

Fato anunciando, qual foi a reação de Ricardo, através de sua assessoria? Simplesmente passou a difundir, sobretudo através dos áulicos do poder municipal, que Fuba somente tomara esta decisão porque recebera do Governo a importância de R$ 200 mil, conforme notas de fevereiro deste ano.

A atitude de Ricardo de querer transformar Fuba, sua ex-grande referência de apoio e importância cultural em molambo político, expressa a verdade do que o candidato ao Governo pelo PSB adotou no exercício de seus planos, ora endeusando quem se anula em torno de seu projeto, ora fazendo, como faz agora com Fuba, querendo transformá-lo em Vilão, mesmo se tratando de pessoa de estatura e dignidade de quem tanto lhe deu a mão, a voz, a consciência e a cumplicidade.

Antes de juízo de valor, expliquemos: os valores constantes em processo de fevereiro dizem respeito ao apoio do Governo ao bloco Muriçocas do Miramar – e não a Fuba, como insinuou, na proporção inversa do que Ricardo, ainda prefeito, resolveu se omitir e ignorar negando apoios à agremiação que, um dia, por irresponsabilidade do artista doou o hino do bloco à campanha do socialista (?) – agora todos perguntando quanto Ricardo pagou por isso?

Ricardo não pagou nada porque a moeda da época usada por Fuba e tantos era a crença numa proposta posteriormente desmoronada no decorrer do tempo.

Além do mais, guardadas as proporções, é preciso ser dito, que ninguém duvida da lisura de Chico Cesar à frente da Funjope, certamente que ao ser convocado não foi por ter sido comprado pelo ex-prefeito, mesmo na sua gestão tendo manipulado muita grana para grandes shows de valor estético para a cidade, mas de pagamento de cachê ínfimo aos artistas locais.

Tanto o ex-prefeito quanto Fuba sabem que a opção política na vida de uma pessoa não pode reproduzir a lógica partidária de compra de consciências – como insinuou Ricardo, mesmo quando tendo alguns fortes aliados do ex-prefeitos acostumados dessa prática, porque são as circunstancias e os projetos quem delimitam e influem onde e com quem cada um vai se compor.

Na verdade, RC perdeu o apoio e a confiança de Fuba, como de muita gente cultural deste estado, porque quando era apenas uma promessa e precisava de apoio, ele agia de forma humilde mas, comumente como muitos se transformam quando estão no exercício do poder, ele acabou lembrando a parábola, segundo a qual, ao precisar do suco da laranja o sujeito só pensa em se vitaminar, entretanto quando se sente saciado e atinge seu objetivo joga laranja e bagaço para bem longe, como se gente fosse objeto de descarte qualquer. Muitas pessoas viveram esta relação comparada com RC.

Ao acusar Fuba de indecência, Ricardo se assume por inteiro com sua condição camaleônica na qual muda de forma de tratamento ao sabor de seus interesses, por isso são incontáveis os lideres dos movimentos sociais da Capital hoje inteiramente assumidos na Oposição ao ex-lider porque o consideram o avesso da verdade que apregoa.

Como se vê, da mesma forma que Maranhão, Cássio nem Cícero Lucena lá atrás não reclamaram quando Fuba apoiava Ricardo nas Muriçocas, mais sensato seria o candidato do PSB refletir e identificar porque perdeu o artista e tanta gente, até porque muitos que o tinham na conta da referência de antes, hoje lamentam e reagem contra seu futuro político porque aos poucos eles destruiu seu maior dos patrimônios, a coerência de princípios.

Se é assim, se Fuba nunca recebeu um tostão de Ricardo para ser o maior apoiador da Cultura quando dele precisava, agora quando toma novo rumo político é preciso compreender que sua decisão de agora certamente foi tomada pela necessidade de sobreviver sem amarras nem desvios de conduta até porque passou a confiar mais no governador Maranhão.

Em síntese, Fuba merece respeito e trato digno porque da mesma forma que soube estender a mão a uma perspectiva de promessa soube publicamente cortar relações com quem não mais confia, não acredita e transformou promessa em forte decepção.

 

 


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