O significado da vitória na OAB

As urnas das eleições da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraíba, apresentaram ao conjunto da sociedade paraibana neste sábado o advogado Odon Bezerra como novo presidente da OAB surpreendendo pesquisa feita há uma semana do dia da votação.

Sem dúvidas, o resultado coroa a trajetória de um advogado de bom relacionamento dentro e fora da categoria, com ótima performance já demonstrada em recente eleição para desembargador, portanto, esse mérito não pode ser contestado.

Pela primeira vez, desde quando entendo de gente, nunca tinha visto a presença da estrutura de Governo arregimentando e mudando votos gerando uma nova composição de forças na disputa da OAB porque, enfim, a disputa na entidade foi afetada pela crise política externa à Ordem.

Desta feita, as grandes bandeiras de lutas da categoria, as prerrogativas dos advogados e as principais aspirações de curto prazo da categoria cederam espaço ao debate em torno de quem estava a favor ou contra o Governo do Estado.

Ou seja, embora Odon tenha sua história distinta, nem assim sua candidatura teria a vitória se não houvesse a presença de apoiamento maranhista.

Aliás, a inspiração da campanha surgiu exatamente desse elemento de inclusão partidária como argumento / fator a gerar novo processo de disputa atraindo como elemento catalizador as insatisfações de outros advogados por não estarem tendo espaço na diretoria da Ordem construindo o somatório das duas coisas um só contexto de ampla Oposição ao atual presidente José Mário Porto.

Objetivando: para existir a campanha em torno de Odon foi preciso acusar Zé Mário de priorizar advogados partidários do ex-governador Cássio e Ricardo na sua chapa, algo que no começo não tinha a dimensão demolidora, mas que passou a existir quando o atual presidente resolveu polemizar em torno desta questão e não das propostas que as tinha em melhor sistematização.

Zé Mario assumiu o discurso de priorizar o debate pro e contra o Governo resultando na mais forte pressão que já houve nas eleições contemporâneas da Ordem fazendo advogados de sua chapa a se ausentar e/ou chegar mesmo a votar contra por determinação externa. No macro espectro, produziu o sentimento de derrota de Cássio e Ricardo sem a ostentação nem presença deles abertamente.

Esta constatação demonstra o elemento de força incontestável do Poder emanado pelo Governo – e o faz se ensaiar grande e maior do que é – mas sem que a maioria se aperceba que todo o cenário posto para o futuro só fez a OAB ficar menor enquanto soberania construída a duras penas ao longo de sua história.

A importância da vitória de Odon nos moldes postos o faz frágil conceitualmente diante de possíveis questionamentos que a Ordem venha a ser exigida a adotar frente a alguma crise entre instituições ou acasos porque ele passou a ser parte, refém do processo no qual – ai sim, o governador surge como soberano.

No frigir dos ovos, a Paraíba reproduz a redução de força da sociedade diante do Poder que cada vez mais pode quase tudo e até asfixia fazendo do governador Maranhão a expressão de quem está construindo em todos os cantos a condição maior de sua reeleição ao Governo.

De sorte, em qualquer cenário, não se abstrai o cumprimento sincero de boa sorte ao novo presidente da OAB/PB.

A vitória de Assis e Marcelo Weick

A eleição de Odon implica no reconhecimento ao trabalho de muita gente, a partir de sua companheira, mas de diversos advogados a exemplo de Walter Agra, Sólon Benevides, Marcelo Figueiredo, Élson Carvalho, etc, mas justiça seja feita: o inspirador do processo foi o advogado Assis Almeida como o também advogado Marcelo Weick – ambos de operação arrasadora.

Sem esses dois, o presidente Odon não teria sido eleito.

Última

“É de laço/ e de nó/ o destino de um só…”

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