BRASILIA – Não se trata de situação com mesmo conteúdo, enquanto enredo, mas a decisão do ex-governador Cássio Cunha Lima de não se deixar ser visto pelo conjunto de seus aliados bem que lembra na concepção do sumiço a realidade vivida pelo cantor e compositor cearense Belchior, recentemente.
Cássio já está no Brasil, mas é como pouco importasse tanta falação para a mania das pessoas de só entender a presença quando os olhos fotografam a figura humana à frente.
De fato, desde que decidiu se ausentar do cotidiano cansativo do embate político o ex-governador passou a aplicar se numa natureza que há anos pouco entendia, que é dar mais tempo a si mesmo cuidando melhor dos projetos individuais.
Se precisasse invocar Zé Ramalho, logo viria trecho da canção famosa em que ele filosofava: Freud explica. Cássio, a rigor, não está no divã de nenhum psicanalista, muito ao contrário, mesmo assim parece decidido a pouco se importar com seu sumiço prevalecendo o recomeço de uma forma diferente para, quando retornar ao cotidiano conhecido, se dedicar às lutas nem sempre dele, mas absorvidas em face de seu significado.
Certamente que nenhum site famoso, nem mesmo a curiosidade poderosa da Rede Globo fará algum dos seus repórteres sair por São Paulo, Minas e Brasília procurando o ex-governador, mas que ele se impõe no silencio disse ninguém duvida porque com seu estilo próprio até nessa reciclagem de vida incomoda pelo jeito muito diferente de Ronaldo a referência que muitos costumam ter como comparação.
Cássio é Rodrigues, dizem uns, mas ultimamente ele tem sido mesmo é zelador do tempo, que não volta mais.
Quanto ao processo de reentree na política isto só se dará depois do Grito da Independência, do cenário comum de 7 de setembro em que a liberdade é comemorada como triunfo nacional.
Não tem jeito: só mesmo o tempo pode trazer de volta o ex-governador, personagem do passado e presente com perspectiva de futuro agora todo ancho em imitar Belchior.
