O papel da Vice – Presidente do TJ

Pelo andar da carruagem, há um tratamento dispensado à posse da desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti Maranhão na vice – presidência do Tribunal de Justiça do Estado nesta sexta-feira com caráter muito além do formalismo comum em torno do ato que, simbolicamente, marca a presença da primeira paraibana na cúpula da Corte estadual.

Mesmo compreendendo o cenário e o rito que o Cerimonial tem dado ao contexto, os valores que me saltam aos olhos estão muito mais em torno da natureza humana, processual e do significado político do que pela vaidade em si possível de evidência tanta.

O que representa uma mulher no pré comando da Justiça paraibana? Qual a contribuição real a ser dada num gesto de ascensão feminina também na Corte? Cá pra nós, o que muda no formato e conduta das tarefas inerentes ao Judiciário?

A rigor, todas as perguntas poderiam ter resposta em torno de uma só essência: a formação e o caráter da cidadã que, no processo continuado de vida, transformou a educação familiar em trampolim para atingir objetivos sabendo usar do conjunto de fraqueza e de muita força, mais especialmente esse valor energético, como parâmetro de conquistas ainda tantas por vir.

Pode ser que não seja, e não é, da desembargadora a primazia da multiplicidade de valores comuns à mulher, mas há tempo a contribuição feminina tem se ampliado por mérito porque o bom senso de quem é misto de cidadã, em muitos casos mãe, trabalhadora, guerreira, intelectual, sonhadora etc tem ascendido ultimamente ao Poder enquanto espaço de transformação, sobretudo na sociedade brasileira como um todo.

É esse conjunto de fatores que vai se impor no processo natural de ascensão da desembargadora, sempre auxiliada por uma conjuntura em que seus antecessores contribuem bem na formação de uma boa base de gestão, mas futuramente adicionada do toque próprio que ela deve dar com o orgulho de ser a primeira mulher de João Pessoa a comandar brevemente a Justiça.

Será preciso bom senso e aplicabilidade real da justiça ante mesmo aos que, por ventura, discordem de sua leitura sobre pontos-de-vista distintos da sociedade, até mesmo da política, porque agindo assim mais do que serena imprimirá a elevação dos princípios democráticos na relação humana.

Mas, mesmo que os obstáculos despontem , nada será mais fundamental na forma de conduzir sua gestão do que exprimir como meta precípua a possibilidade real dos homens e mulheres pobres, as minorias segregadas como um todo, poderem ter de fato acesso à Justiça, porque ela não foi feita apenas para uso dos que podem contratar bons advogados ou escritórios.

Se, por etapa, poder abrigar gradativamente o apoio efetivo às mulheres sofridas do Estado, das minoras em muitos casos desprovidas de condições mínimas amparando-as nas necessidades do direito pleno já será um caminho ampliado que poderá ficar para sempre lembrando o poeta de que o nome a obra imortaliza.

Seja como for, a posse projetada reúne expectativas, holofotes e valores não mais importantes do que a possibilidade de se fazer historia, mas selando compromissos efetivos com a cidadania.

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