A Rede Globo tem promovido a mais forte exposição sobre o universo e cultura da India, um grande País, que consegue carregar a tradiçao de modelos sociais impraticáveis no Ocidente, mais particularmente no Brasil e/ou no Nordeste: a adoçao de Castas.
Nem precisaria distinguir o significado dessa cultura porque, como mostra a novela da Globo, o exemplo das Castas como sistemas tradicionais, hereditários ou sociais conduzem a estratificação com base em valores que, como disse no primeiro parágrafo, estão na contra mao do processo historico brasileiro sempre avançando na direçao da igualdade.
Embora sociedade jovem, com pouco mais de 500 anos, a sociedade brasileira tem ampliado as conquistas por trabalhar exatamente pelo fim das desigualdades, do favorecimento de uns em detrimento da grande maioria.
Como todos sabem o sistema de casta (varna) indiano que é dividido de acordo com a estrutura do corpo de Brahma (é bom nao confundir com a empresa de bebidas) em quatro principais Castas:
A boca (Brâmanes) representa os sacerdotes, filósofos e professores;
Os braços (Xátrias) são os militares e os governantes;
As pernas (Vaixás) são os comerciantes e os agricultores;
Os pés (Sudras) são os artesãos, os operários e os camponeses.
Ora, filho do bairro da Torre, respeito muito a cultura indiana mas nao me vejo em condiçoes de abdicar de um outro modelo ocidental, como é o caso do Brasil, porque a cultuaçao de Castas significa o culto ao privilégio desmedido, injusto e na contra-mao das conquistas do povo brasileiro.
Guardadas as proporções, mesmo com todo o respeito supremo à cultura indiana, é mais ou menos isso o que pretendem implementar no Ministerio Publico do Estado 16 dos 19 Procuradores de Justiça buscando com uma manobra de bastidores ascender ao topo inatingivel da categoria gerando o mais profundo fosso e distancia no segmento diante de mais de 200 promotores com apoio de 3 procuradores de justica e de todas as entidades representativas do segmento em nivel nacional repudiando tal projeto.
A versão tabajara da cultura de Castas pretendida pelo respeitado, mas minoritário grupo de procuradores, ainda merece reflexao profunda deles proprios, enquanto é tempo, para que possam evitar o carimbo para sempre de serem os promotores do retrocesso mais inadequado da história do Ministerio Publico do Pais.
Enquanto todos os Estados já são 21 dos 27 com Sao Paulo encaminhando a adesão para que todos integrantes possam votar e serem votados, a Paraiba mancha sua historia de lutas retroagindo em nome da vaidade pessoal e da ambiçao de poucos que, fora da India, querem reinventar a roda implantando a cultura de castas entre nós.
Custo a crer que a Procuradora Geral, Janete Ismael, que tanta contribuiçao tem dado, inclusive beneficiada pela regra eleitoral isonômica, insista em se manter comandante desse retrocesso.
Também não sei com que cara a Assembléia Legislativa vai encarar o projeto, mas se houver compromisso com os avancos da historia, a democracia plena e o respeito às conquistas coletivas, o Legislativo deve remeter o processo para a India porque no Brasil nao cabe a cultura de Castas.
Do contrário é rasgar os principios democraticos e jogar as lutas historicas do digno Ministerio Publico estadual na lata do lixo.
Aliás, é isso o que se pretende? Prefiro acreditar que não.