Qualquer neófito em política diria de cara que seria impossível imaginar uma crise entre o governador José Maranhão e o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, em tão pouco tempo de exercício no Poder. Mas, como a vida pública reproduz a filosofia manoelgaudenciana de que a dinâmica na política permite de tudo, ou quase tudo, por isso perdura até hoje a máxima de Ulisses Guimarães exposta no primeiro andar do Piantela, em Brasília, que em política é bom sempre deixar uma porta aberta.
Tantas informações num só Leadão (texto de abertura no jornalismo) só servem para exigir de nós uma reflexão sobre os novos fatos e suas conseqüências.
No final da noite desta quarta-feira, o PSB promoveu um resultado fundamental para a vida partidária de Ricardo, que foi aprovar por 14 votos a 3 a recomendação do também presidente do partido, RC, de não aceitar a posse do deputado estadual Guilherme Almeida na Secretaria de Interiorização no Governo Maranhão.
A partir de agora, com esse resultado, cabe ao deputado assumir os riscos de maior crise e até punição por desobediência partidária.
Sem entrar no mérito da decisão, se não houvesse esta posição Ricardo estaria liquidado desde hoje quanto ao seu espaço partidário. Só que o resultado lhe favoreceu dando recado para dentro e para fora ser ele o principal lider do PSB até porque, conforme entrevista exclusiva no WSCOM Online, o presidente nacional, Eduardo Campos, já tinha anunciado que ficaria com RC em qualquer situação.
O fato é que toda crise repõe os principais atores de Situação – e não mais de Oposição, Maranhão e Ricardo, a encararem uma posição delicada exigindo deles dois atitudes mais racionais do que emocionais, porque do contrário não ficará pedra sobre pedra de agora em diante.
Na prática, sem que se apercebam eles atropelaram o mais importante dos códigos de relacionamento a confiança, portanto, diante deste e novos casos à frente ou eles abrem espaços para os bombeiros ou, em questões de dias, o rompimento entre eles se dará como condição natural, o que é ruim para ambos enquanto a base de apoio em 2006, pois com o racha abrem perspectiva para a Oposição a eles (PSDB e DEM) criarem perspectiva e chances na direção do futuro.
Manoel Jr, noutra
Pela votação no PSB, ficou evidente a posição do deputado federal Manoel Jr discordante do encaminhamento de Ricardo Coutinho. Ficou entre os 3 votos contra a decisão da maioria.
Anda em rota de colisão.
Filosofia
Uma alta fonte do PSB nacional nos disse ontem: não adianta crise arranjada, pois o diretório anda vacinado contra essas manobras.
Bom, só não me disse para quem foi o recado.
PT: outra crise ao redor
O Partido dos Trabalhadores avançou em algumas votações nesta quarta-feira mas acabou rachado com fortes efeitos negativos no relacionamento de algumas lideranças. Expliquemos: embora tenham aprovado por maioria os nomes de Giucelia Figueiredo e Rubens Freire para compor o governo Maranhão, como conseqüência desse resultado o deputado federal Luiz Couto decidiu sair da comissão de relacionamento com o governador.
Tem mais: anunciou o racha com Rodrigo Soares no campo Construindo Novo Brasil, ou seja, o parlamentar estadual está fora de seu agrupamento.
Na prática, eles até comungavam na tese de apoio ao Governo Maranhão, mas divergiam na direção do futuro porque Rodrigo é a favor de continuar com o governador e Luiz Couto defende dialogo com forças progressistas (leia-se Ricardo Coutinho).
Podem anotar: ainda haverá muito moído de agora em diante.
Duas informações especiais
A Casa Civil e a área política do Governo Federal acompanham as questões do Nordeste e em especial a Paraíba pelo portal WSCOM Online e Revista NORDESTE.
O mesmo faz o pessoal de comunicação de José Serra e Aécio Neves bem como o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos.
Delfim, depois das férias
O ex-ministro Delfim Netto já concluiu seu período de férias e volta a escrever na edição de março a Revista NORDESTE
Última
São dois pra lá/
Dois pra cá…