A greve, a justa reivindicação e a hora inoportuna

O movimento paredista a envolver a categoria dos delegados de Policia Civil no Estado, em greve há 32 dias, se encaminha para os momentos mais tensos e insuportáveis porque beira à exaustão punindo quem menos tem a ver com o problemão: a sociedade.

A rigor, se se for fazer um exame lúcido e distante da pólvora político – partidária, a greve se viu declarada em momento extremamente inoportuno porque, encobrindo a justa pauta de reivindicação, tem servido muito mais como elemento de estimulo à crise politica irracional do que outra coisa.

Ninguém, nem mesmo o Governo, pode ignorar os anseios comparados dessa categoria importante a merecer exame, sem dúvida, entretanto, a forma e o processo de manutenção do movimento parecem estratégia encomendada fora do setor.

Só que a realidade incorporada com justeza pela nova leva de delegados ungidos pelo concurso público, ao invés de arapongas desqualificados como antes, promoveu nos últimos tempos um nível mais forte de politização advindo de uma nova cultura na categoria. Só que a própria estrutura hoje em greve ignora avanços expressivos conquistados proximamente.

Ora, é consenso admitir melhores condições de trabalho e remuneração para os delegados, como de sorte às demais profissionais, só que – e isso precisa ser levado em conta, sim – o patamar saiu de um índice X de salários e hoje está em 4,5 X a mais em poucos anos, fruto da política salarial adotada pelo governador Cássio com ganhos reais para a categoria.

Admitamos ainda que, em face da crise gerada pelo processo de cassação no TSE, a categoria deixou-se permitir ser tomada por sentimentos que, por trás da pauta de reivindicações, pareceu abrigar com intensidade outros valores e disputas alheias à categoria, hoje deixando as lideranças do movimento sem saber como acabar a greve.

Ao governador, que radicalizou de forma nunca vista, é preciso advertir, como ele próprio reverberou outro dia num ato no Teatro Santa Roza que, “Governo é para sofrer” – como dizia Mocidade numa resposta histórica ao ex-governador João Agripino vendo-o em protesto contra o ex-chefe do executivo dias depois de ser nomeado por ele. Faz parte do oficio se deparar com reivindicações.

No caso de agora, a razão precisa se reestabelecer até levando em conta que o movimento está sem respaldo da Justiça por ter decretado sua ilegalidade recentemente.

Ora, se o problema está no impasse de quem age primeiro – se o governador com suas razoes e prerrogativas ou o movimento grevista com sua pauta de reivindicações-, basta tão somente fixar um acordo no qual os delegados retornam ao trabalho com a data pré-estabelecida de se sentar à mesa dia seguinte em lugar e horário para novas negociações.

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