Nosso Reveillon, as opções, a estética e o gosto popular

A orla marítima da Grande João Pessoa pipocou este ano de muitas festas públicas ou particulares na virada de ano. As duas mais badaladas tomando por conta o fluxo de gente no Réveillon, recém passado, foram, sem dúvidas, as promovidas pelo Governo do Estado e da Prefeitura de João Pessoa.

Foram duas festas com estéticas e apelos artísticos bem distintos com grande afluência popular, mas sem dúvidas com muito maior presença da ‘massa real’ na programação liderada pela Banda Calypso.

Quem esteve na orla atestou esta realidade sem nenhuma dificuldade.

A rigor, a realização das duas festas simultaneamente produz uma série de constatações, independentemente de gosto popular ou opção política.

A primeira delas nos faz menor porque mostramos que iniciamos o ano divididos. A Paraiba se expôs para o mundo ainda reproduzindo a condição de Estado dividido.

Há mais constatações: pela primeira vez em termos de competição pública, a Prefeitura se apercebeu que está diante de um competidor de força e de influência na relação popular, embora aqui não se aponha nenhum valor eleitoral porque as pessoas não foram às festas como se fora um dia de votação.

Mesmo assim, o componente político e estético se fez distinto até nas ótimas opções musicais. Nas duas festas, o público se deparou com o que há de melhor no que as duas propostas ofereceram: de um lado, com maior atratividade intelectual, o Buena Vista Social Clube e Armandinho/Dodô e Osmar; e, do outro, a superprodução extraordinária da banda paraense em noite de pique muito especial.

Até nisso a condição pessoal de nossos lideres se fez distinta. A festa da Prefeitura reproduziu a cara do prefeito Ricardo Coutinho com sua vinculação histórica com a música engajada, mesmo fora do circuito popular de massas. É como seu gosto construído ao longo da vida ao lado de outros grandes colaboradores prevalecesse na oferta desse gosto, repito – fora do circuito comercial – como a única possibilidade ao público. Isso é bom, diferente, mas distancia na relação com a ‘massa real’.

Para gerações cinquentonas, fortes parcelas da juventude universitária ou dos padrões sociais de gente envolvida em lutas de classe estar diante do Buena Vista e Armandinho era degustar da beleza sonora extraordinária ainda presa à memória desde os tempos passados de resistência.

Mas, como também se apercebeu-se no contexto, a opção oferecida pelo governador José Maranhão se viu mais preocupada na sintonia contemporânea com o gosto popular, ou seja, nem de longe quis ideologizar uma opção musical para o Réveillon proposto nas areias douradas da praia do Cabo Branco.

O governador nem esteve aí – ou seja, não deu bolas para o componente ideológico na escolha da oferta musical, mesmo sendo cidadão cassado pela Ditadura –, como se estivesse dizendo a si próprio que mais importante do que seu gosto pessoal devesse prevalecer o gosto da grande massa presente ao Réveillon.

No componente de produção em si, ressalte-se o alto grau de profissionalismo da banda Calypso e as atrações seqüenciais, a exemplo da estréia da carreira solo de Yego Gomez – ex-vocalista do Capim Cubano – levando muita ginga e som pesado para a multidão de aficcionados.

Pense num mar de gente!

Em síntese, musicalmente e politicamente esta é a síntese de como começamos o ano de 2010 devendo essa condição ser estendida até quando outubro ( data da eleição para presidente, governador, etc) chegar.

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