A posse do prefeito de João Pessoa neste primeiro dia do ano consolidando o segundo mandato na mais importante cidade da Paraíba conduz entre os tantos valores a alta expectativa sobre o nível da gestão em si a partir de agora.
Há registros em outros cenários de administrações que não tiveram o mesmo desempenho na segunda versão em face de acomodações daí, por estarmos diante de prefeito com perfil diferente, como é o caso de Ricardo, multiplica-se então o olhar em torno da segunda gestão porque muito do futuro do próprio prefeito e da cena política da Paraíba dependerá desta fase agora.
Ricardo tem de inicio o desafio da própria gestão em torno da máquina administrativa, sobretudo diante de um momento financeiro restritivo no mundo em que requer dos gestores a aplicação de medidas para se evitar os desperdícios nem sempre atacados.
É evidente que são os serviços à população o foco principal da missão do administrador municipal, por isso mesmo se faz indispensável que, no caso de Ricardo Coutinho, possa ele mergulhar para refletir melhor sobre o nível de desempenho da maquina administrativa porque, já a partir desse aspecto da gestão, poder-se-á qualificar mais a prestação de serviços à sociedade.
Nos primeiros acenos e entrevistas produzidas após o anuncio da equipe de auxiliares, Ricardo deixou claro que vai exigir dos assessores maior rigor nas ações de cada área para otimizar os recursos diante de uma meta estabelecida de redução de despesas, sobretudo, diante das restrições financeiras previstas com a cena financeira internacional gerando efeitos entre nós.
Será desse conjunto de aspectos internos da própria administração municipal que conheceremos o ritmo e a essência da nova gestão de Ricardo Coutinho sem dúvidas nenhuma, um administrador que tem mudado paradigmas na forma de tratar assuntos públicos na cidade.
Se é assim, a sorte está lançada.
Reflexões sobre o PT, segundo petistas
Companheiros,
A participação conferida ao PT no novo secretariado do Governo Municipal pessoense, pelo Prefeito Ricardo Coutinho, demonstra, pelo menos, duas verdades indefectíveis:
A primeira, que tem caráter de lição, relaciona-se ao efeito negativo que a ansiedade de algumas lideranças petistas, sedentas pela participação em cargos públicos, cria para o partido. Os dois cargos concedidos pelo nosso aliado ridiculariza companheiros que, açodadamente, buscaram os meios de comunicação para divulgar a importância do PT para a gestão municipal e a vocação do partido para áreas sociais, pleiteando, pelo menos, duas pastas importantes.
Em segundo, parece evidente que o prefeito Ricardo Coutinho não compartilha da mesma visão de tamanho e de importância do PT, defendida e alardeada por nossas lideranças, ao menos, em relação a sua gestão municipal.
Nenhuma dessas verdades cria empecilho à aliança do Partido dos Trabalhadores com o Governo Municipal do PSB. Nem mesmo inviabiliza um projeto de aliança para 2010.
Isso porque, acredita-se, o PT ainda tem como parâmetro ideais maiores, que não a ocupação de cargos públicos comissionados. O que deve unir os companheiros desse partido é um projeto político, que vise alcançar o bem estar social, e não a acomodação individual de alguns de seus membros.
Ricardo está errado? Não há como dizer isso, em princípio. De acordo com a imprensa, o prefeito montou seu Secretariado em função de três critérios: competência, lealdade e honestidade. Em sua avaliação, democraticamente, enquanto gestor, tomou a decisão política de ocupação de sua Secretaria, e com base nesses três critérios diagnosticou qual o tamanho da participação petista, no 1º escalão de seu Governo.
O tamanho da ocupação do PT, no Governo Ricardo Coutinho, representa a importância que este dá ao Partido dos Trabalhadores, dentro do seu arco de alianças.
Essa compreensão de Ricardo é válida, merece respeito, sob o prisma de sua condição e responsabilidade como gestor, e tem significado, sob o foco de sua evidente apresentação como um protagonista da política paraibana e do embate que será travado em 2010.
Contudo, cabe, ao Partido dos Trabalhadores, através de suas lideranças, concordar ou não com o tamanho que lhe foi diagnosticado.
Se concorda, deve o PT aceitar o cargo dado, esforçando-se para tornar a transparência algo visível ao olhos da sociedade pessoense. Conseguindo esse feito, de alguma forma, espera-se, o partido irá justificar seu valor dentro de uma gestão, com a visão voltada para seu projeto político.
Se discorda, não deve o PT radicalizar seu comportamento, comprometendo a aliança construída com os partidos da base de apoio ao Governo Lula. Isso, porque não devem ser os cargos que movem o projeto político-partidário, mas os ideais maiores, que fundamentam a busca de uma sociedade mais justa.
Sem esses ideais, o partido perde seu espírito, sua razão de ser. Torna-se, pior que um partido anão, um partido pedinte, que falsamente se satisfaz com os restos que lhe são dados.
Para se ter projeto é necessário ter altivez, é preciso ter dignidade. Por isso, em razão do que representa ou do que imagina que representa, sugere-se que, caso discordem do tamanho dado à importância do PT no arco de alianças que elegeu o Prefeito Ricardo Coutinho, as lideranças petistas devolvam os importantes cargos agraciados, reiterando, junto à nova Administração Municipal, a importância dos avanços identificados em sua gestão e o interesse de continuar a aliança firmada no Estado, inclusive, e talvez, em momentos futuros; mas sempre em função de um projeto maior, o desenvolvimento de nossa João Pessoa e de toda a Paraíba.
Ronny Charles
Charliton Machado
Carlos Bezerra Cavalcante