Para onde caminhamos?

Para Rafael, neto e desejo de superação

Fazia tempo não via uma segunda-feira agoniada, repleta de enfrentamentos e discordâncias em nome ( e em busca ) do Poder que, mais cedo ou mais tarde, se transforma sempre numa oportunidade para o exercício de nossas elites políticas, ultimamente tomadas de intolerância.

Eram muitos (eu vi) aparentemente solapados em seus direitos, ou diziam isso – cada um de seu jeito, por todo o conjunto de fatos sucessivos registrados nos últimos dias dentro e fora da arena legislativa, jurídica ou de ruas mesmo.

Não sei onde vamos chegar, mas o cheiro que sinto é de fio queimado como se o gato no zinco escuro, autor da escuridão (?) fosse o representante de nossa mentalidade tacanha representativamente popular, estando na plenitude da contra-mão do que outras sociedades experimentam em nome do povo e para o povo.

As cenas desta segunda-feira serviram para gerar nota abaixo da média pelo conjunto dos que lutam a luta de cada um sem dimensionar nesse jogo a presença da sociedade como parâmetro maior dos debates, hoje inexistentes, porque foram trocados pelos insultos e o mau exemplo fora da sala de aula.

Pressinto dias nublados e noites de lobisomem no nosso futuro próximo porque estão sumindo interlocutores da convergência, homens ou mulheres vizinhos da razão já não conseguem fazer a ponte entre as duas montanhas da briga que conduz gente bem intensionada para perto do nada fazendo da (des)ordem a referência do retrocesso.

Sei da impossibilidade posta na direção da concordia, mas em algum dia, alguma noite as representatividades de Cássio e Maranhão vão precisar se afastar da mediocridade imperando em torno deles porque claramente os malabaristas, equilibristas, mágicos e trapezistas cúmplices de cada um parecem estar querendo tocar fogo no circo da Paraíba, quando a platéia exige um espetáculo mais civilizado e com resultados em favor do riso de todos os que pagam para dar sentido às peças, autores e encenadores.

Não, diante da tela cinematográfica do filme atual me recuso a ser personagem de 1930, da encenação na Avenida Adolfo Cirne (hoje Beira Rio), no bairro da Torre, onde as lapinhas sempre nos conduziram ao azul e encarnado como a impor a bipolaridade que destrói todas as outras possibilidades de cores e sentidos.

Com todo respeito ao que cada um representa precisamos reaprender a lição singela e fundamental, que diz: quando um não quer dois não brigam. Afinal essa briga da forma posta é improdutiva e precisa acabar.

A hora, penso comigo, é de todos brigarem pela Paraíba – esta sempre afetada pela falta de nossa civilidade contemporânea – até porque a hora do cancão piar já passou; que foi no período eleitoral.

Por favor, deixem-nos trabalhar e construir nosso futuro com dignidade!

Lembrando o Poeta

De repente, já era fim da noite, quando me veio parte da canção que tanto embalou lutas passadas e fez de Chico Buarque o maior tradutor dos anseios democráticos.

Ele dizia assim:

“O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…”

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