O saldo das eleições municipais

O resultado apresentado pelas urnas neste domingo na Paraíba apresentou uma série de dados importantes que servem para entender a construção do tabuleiro político a partir de agora na direção de 2010.

Individualmente, a eleição mais emblemática foi, sem dúvidas, a vitória do prefeito Ricardo Coutinho, em João Pessoa, de forma consagradora. Este é o dado extraordinário no processo dentro de uma concepção pontual.

No contexto geral, entretanto, o saldo das eleições levando em conta a quantidade de prefeitos eleitos ou reeleitos, a partir dos pequenos e médios colégios eleitorais mais Campina Grande – cujo resultado sustou uma derrota e gerou nova perspectiva de vitória – credencia a vitória do governador Cássio Cunha Lima de forma a apresentá-lo como o principal cabo eleitoral na disputa estadual vindoura.

Antes de algum raciocínio equivocado, vamos aos números incontestáveis: até a eleição de 2004, o PMDB e aliados tinham João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Monteiro, Patos, Sousa, Piancó, Bayeux, Santa Rita, etc, ou seja, as grandes e médias cidades estavam com a Oposição ao Governo.

O resultado de agora leva para a base do Governo as prefeituras de Bayeux, Monteiro, Pombal, Sousa, Piancó, Itaporanga, Catolé do Rocha, etc modificando o cenário de antes, isto é, ao invés do PMDB/aliados comandar 14 das médias e grandes cidades como aconteceu em 2004, a partir desta eleição é o PSDB/DEM/PTB/ PDT liderados por Cássio quem controla as prefeituras dessas cidades. Houve inversão de conjuntura.

Em síntese: como já dispunham da maioria das pequenas cidades (com menos de 10 mil votos) e agora passa a ser majoritário nos médios municípios com perspectiva de retomar o Poder em Campina Grande – a base aliada do Governo sai computando maior número de vitorias.

É o que atestam os boletins do Tribunal Regional Eleitoral.

O perfil de outros personagens importantes

Com mais calma será importante entender o papel dos três senadores da República nesse processo – Cícero Lucena, Efraim Morais e José Maranhão – nas diversas disputas no estado como um todo.

Maranhão, por exemplo, se mantém imbatível em Araruna com a vitoria de sua Irma, D. Wilma Maranhão, da mesma forma que Efraim computa a vitoria do irmão, Ademir Morais, mas é preciso computar as perdas dos dois em Bayeux, Sousa, Monteiro, Catolé (no caso de Maranhão) e de Efraim nas cidades de Cajazeiras e Esperança – deixando-os com forte desfalque.

No caso de Cícero, a derrota acachapante de João Gonçalves e sua presença limitida nas eleições gerais do Interior fazem-no ter que repensar os rumos de sua carreira política – se parte para a reeleição ou se tenta o Governo do Estado.

O caso emblemático de Campina

A decisão do eleitorado de Campina Grande de levar a disputa para o segundo turno afeta de cara uma série de valores e componentes, a partir dos institutos de pesquisa que anunciaram a vitória tranqüila de Veneziano e o resultado das urnas foi exatamente outro.

Desmoraliza, também, grandes estruturas de pesquisa, aliás, mais uma vez, a exemplo do Ibope – o mais afetado na credibilidade.

Além disso, o novo cenário cria uma expectativa em tom de desvantagem para a campanha de Veneziano porque na fase recém concluída o prefeito jogou todas as fichas na vitoria no primeiro turno, portanto, a não concretização gera algo bem parecido com Wilson Braga em 1990.

O resultado deixa em maus lençóis vários veículos de comunicação de Campina e fora dela por terem se comportado premeditadamente pró – Veneziano ao não divulgarem fatos graves da campanha contra o prefeito.

O caso do cheque é o mais preponderante e que, no segundo turno, vai deixar Veneziano menor do ponto-de-vista na relação com temas éticos porque a visibilidade do problema do cheque agora tomará proporção muito mais forte na afetação de sua imagem.

O futuro, em tese, projeta situações de muita negatividade para Veneziano.

Alex Azevedo complica o cenário

O vídeo divulgado neste domingo de eleições com imagens de um dos coordenadores de Veneziano, Alex Azevedo, abrindo a carteira de cédulas pegando uma quantia em dinheiro (espécie) entregando-a a uma candidata a vereadora de Campina é outro petardo fatal que o prefeito não contava poder chegar ao domínio público.

A partir de agora, tanto Veneziano quanto Alex vão se desdobrar para explicar o inexplicável, no caso imagens de crime eleitoral.

Vené, governador

Na tarde deste domingo, uma cena chamou muita a atenção em Campina, Quando foi votar no curso de Comunicação, o prefeito atraiu milhares de aliados defronte à secção.

Em determinado momento, o deputado federal Vital Filho subiu no muro e gritou:

– Está chegando o futuro governador! – bradou Vital para gerar um coro geral com a seguinte ordem:

– Vené, governador; Vené, governador – repetiram durante toda a votação.

O brilho de Ricardo Coutinho

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