O mercado de comunicação do estado conviveu dias atrás (sexta-feira, mais exatamente) com o trigésimo sétimo aniversário de fundação do Jornal da Paraíba, do Grupo Carlos liderado pelos empresários José Carlos e Eduardo Carlos, também proprietários da Rede Paraíba, de Rádio e TV.
De cara, uma indagação: o que, concretamente, significa o Jornal da Paraíba no contexto mercadológico e de influência na sociedade?
A resposta é simples trata-se do veiculo impresso que busca mais vigorosamente disputar a liderança do mercado com o Jornal Correio da Paraíba -, embora seja necessário entender melhor o processo da mídia impressa no Estado nos últimos anos.
Antes, remontando aos anos 80 constatemos um fato importante, que foi a perda da liderança no setor pelo Jornal O Norte para o Correio da Paraíba levando em conta, exclusivamente, a tiragem de exemplares.
Nesse contexto e época, o Jornal da Paraíba se inseria como veiculo impresso com padrão de tablóide francês, mais charmoso e não de tamanho standard, maior e tradicional do mercado e se mantinha com linha editorial voltada exclusivamente para Campina Grande. À época, de fato não era um jornal estadual.
Passaram-se os anos e, do final dos anos 90 em diante, a direção do jornal resolveu apostar na estadualização do jornal transferindo o poder de decisão editorial para João Pessoa mas, mais do que tudo, constituindo uma estrutura com interesse em ampliar o raio de cobertura para disputar a liderança com o Correio.
Desde o inicio desse novo formato e condição, o Jornal da Paraíba convive com turbulências estéticas e editoriais porque, ao deixar de ser um veiculo exclusivamente de cobertura campinense, já aí desagradou aos leitores radicais da Serra ao modo paralelo de receptividade duvidosa por leitores de João Pessoa.
Para compreensão do cenário lembremos casos típicos comuns entre Rio e São Paulo. Por exemplo: nem o carioca lê a Folha de São ou Estadão prioritariamente, nem o paulista lê O Globo ou JB preferencialmente. Era (ou é?) isso o que confundia o Jornal da Paraíba na relação com leitores pessoenses ao tipificar o veiculo do Grupo Carlos como campinense.
Mas, dos anos 2000 para cá, o Jornal da Paraíba tem trabalhado duro para superar resistências e preconceitos investindo na estrutura e na equipe com vistas a qualificar seu conteúdo, sobretudo, mas sem descuidar da imposição de estratégias de ampliação do número de leitores, a partir de campanhas de assinatura.
A aquisição da Coluna de Cláudio Humberto nos últimos dias, por exemplo, é um retrato 3 x 4 dos investimentos no conteúdo que a empresa anda produzindo na direção da disputa do primeiro lugar no segmento, hoje, sem dúvidas, com ranking dominado pelo Jornal Correio.
Aos 37 anos, bem menos do que o Correio com mais de 50 anos e O Norte Centenário, o Jornal da Paraíba ainda vai precisar ampliar as estratégias, sobretudo, no aspecto de trato das informações com caráter de denúncia, bem como no reforço das relações com o público leitor pessoense e de Campina, mas para quem era um dia atrás um veiculo impresso bem feito mas restrito, e chegar ao patamar de agora está evidente que o mercado ainda verá o crescimento do Jornal gerando a disputa e/ou perspectiva de liderança.
Não é fácil, mas o pior parece ter acontecido e superado, portanto, nada será como antes..