SALVADOR – Depois de participar de todo o rito da lavagem da Igreja do Senhor do Bonfim, nesta quinta-feira, com direito a cumprimentos pessoais a diversas autoridades da Bahia, entre elas o governador Jaques Wagner, pude acompanhar o conjunto da programação que Salvador apresenta para quem chega ou mora na cidade, antes, durante e depois do carnaval.
Impressiona-me a capacidade da Bahia de abrigar todas as tendências musicais. Todas repito, para fazer um contra-ponto ao que se processa em João Pessoa diante de um fundamentalismo frágil e sem grandes respostas quando insistimos em viver do passado, em nome de uma identidade que não temos.
Vejam só: em pleno Festival de Verão patrocinado pela Rede Globo com grandes patrocinadores, a programação que ontem levou Gilberto Gil e Daniela Mercury ao palco é o mesmo que nesta quinta admitiu a inserção dos ´Aviões do Forró´, um dia depois de receber Charles Brown Jr.
Isso é que é a Bahia com inúmeras outras opções em todos os estilos possíveis. Também por essa abertura e distância do xenofobismo é que lidera a vanguarda da música podendo admitir Gilberto Gil e ´Aviões´ – banda que, particularmente, não tenho nenhuma identidade.
Na prática significa dizer que estamos, em João Pessoa, ainda presos a uma mania de querer apenas falar em frevo, que não é nosso, embora tenhamos mais identidade com esse ritmo, mas faz tempo não podemos ignorar outros momentos da música com as novidades de cada época.
Eu, particularmente, claro que prefiro o frevo, mesmo assim já não torço o nariz para o axé, que tem coisa boa e coisa ruim, basta escolher o que se tem.
Última
“Foram me chamar/
eu estou aqui/ o que é que há…”