Quem vive o embate lá em cima (Brasília, melhor dizendo) deve ainda estar sentindo na pele a força da tristeza sepulcral dos aliados e do próprio presidente Lula nesta quinta-feira, como da euforia (?) monumental do PSDB e do DEM por impingirem mais uma derrota histórica ao Governo Federal com a implosão da CPMF.
Acompanhei todo o debate e até a votação convencido de que estamos com um grupo preparado de senadores no debate nacional, mesmo que o ranço político não possa ser descartado desse contexto como a peça nutridora da radicalidade.
O PSDB e o DEM foram ontem o PT do passado, intransigente, com discurso buscando alinhar-se à preocupação com os mais fracos compondo no contexto histórico a contradição mutante típica da dinâmica política, embora a própria população brasileira não tenha um domínio firme sobre o debate recém concluído.
Como pode? e foi assim, o DEM e o PSDB, autores da CPMF, vestirem o manequim de ode contra a contribuição que eles próprio criaram emplacando ao Governo a mais importante derrota para o futuro, não só da administração federal, mas dos projetos voltados às áreas fundamentais, como Saúde, por exemplo.
Mas, como diz o ditado no bairro da Torre, não tem um mal que não traga um bem.
Pela primeira vez, o instituto da fidelidade partidária se fez evidente (não importa aqui discutir as minúcias particulares), a Oposição impôs ao Senado um grau de maturidade há tempo não vista e o Governo deu demonstração de postura essencialmente democrática ao acatar a derrota sem golpismos ou coisa que o valha.
Aliás, a derrota foi um resultado ruim para a estréia do Ministro das Relações Institucionais, José Múcio, que não pode operar como o fez na Câmara Federal, bem como leva para o Conselho Político do Governo Lula uma reflexão sobre erros cometidos na construção do processo da CPMF tratando a miudeza, cada parlamentar, cada governador, ao invés de sentar e decidir com os partidos, especialmente os maiores da Oposição.
É um duro golpe para o governo, que saberá sair-se dessa elevando os impostos dos que mais ganham (leia tupiniquim de Hobin Hood), através do IOF, por exemplo, mas deixa a lição da necessidade permanente de negociação diante de uma democracia consolidada.