Para Tico Pinto, Mirabeau Dias, Lafaiete Coutinho, Pedro Cândido, Pereirinha e Cláudio de Paiva Leite
O mundo oferece de tudo quando se está diante do personagem chamado Pai: há quem seja, muitos pensando em ser, outros tentando sê-lo, tantos fingindo, mas ninguém pode ignorar os que sabem fazer como tal.
Teorias à parte, nesse conjunto tem ainda os sub grupos : dos que fazem bem feito, outros mal feito ou os que nem estão nem numa categoria nem noutra, estão perdidos.
Na vida também é assim. O dia dos Pais permite essa reflexão, mais para quem o é, do que aos maiores beneficiários desse dom divino os filhos, mesmo admitindo que muitos deles já sabem valorizar a razão do pai.
Se for para falar a verdade, portanto, entre nós e até distante mesmo, tem Pai para todo o gosto. A começar pelo Pai-mãe, como o foi Sérgio Carneiro, meu amigo (in memorian) um homem de bem que partiu cedo cumprindo o papel de mãe e genitor de forma para poucos marmanjos mentidos a reprodutores.
Cá pra nós, não vou nem mencionar tantos outros pais exemplares feito Lila ( outro amigo Wiliam Travassos, pai de conduta para poucos em todos os sentidos), nem do mano Duda, expressão da dedicação e amor à sua companheira e filhos.
Se permitirem podemos falar do auto caso, por exemplo, do que deixei de ser, sem nunca perder o olhar e carinho em torno dessa condição paterna em mim mesmo, devoto muito da atenção à vida, mais ainda, do futuro do que significam Pablo e Vinicius em tudo. O crescimento e o saldo de suas vidas já me confortam para inicio de conversa.
Mesmo assim, serei hoje pai confesso das horas perdidas em que o excesso da política, do jornalismo, a busca de sobrevivência, a luta mesmo, a vida noturna, etc, tiraram os meninos de maior proximidade com confabulações do culto ao amor mais profundo, de cumplicidade mutua.
Não física, propriamente falando, posto que nessa natureza tanto tenho feito que sempre estive no máximo do possível do amor intenso, só que poderia ter dedicado muito mais tempo na construção de outras formas de amar coisas expressas nas músicas de Toquinho, Chico, todos amantes do amor filial.
A programação da Rádio Tabajara de sábado para domingo, das 21 horas até a madrugada quando comecei a ouvir, como a admitir o talento de Oswaldo Sarinho Travassos como programador serviu de estimulo à compreensão do quanto se faz indispensável refletir sobre passado e presente em torno da vida comum entre pais e filhos para construir o futuro.
Há muito o que fazer diante de todos que hoje se sentem pais e não reprodutores, até porque na vida moderna tem gente cumprindo esse papel melhor do que pais biológicos. Independentemente de teorias, sem dúvidas precisamos qualificar cada vez mais e melhor nossa relação paterna filhos com a dureza da linguagem e necessidade dos dias atuais.
Sei não, mas para quem for ou se sentir pai de fato não há outro caminho senão brindar a vida com consciência de que nossos filhos sempre haverão de atrair de nós o afeto, a responsabilidade, a construção do futuro e o amor eterno na vida através da indispensável educação.
Só assim o mundo poderá entender a felicidade e a possibilidade de um tempo sem guerras e mortes.
Cabe a cada um de nós fazer sua parte, como o beija-flor que diante do incêndio na floresta cumpre sua missão ao depositar o mínimo de água possível para debelar o fogo que quer o fim das matas e dos bichos.
Se todos fizerem sua parte, chegaremos ao mundo ideal, de pais construtores de nações do bem.