FORTALEZA – Se há um socialista modernoso na concepção da palavra adaptada aos tempos atuais, mesmo sem a inversão da pirâmide social produzindo o poder do operariado sobre as demais camadas, o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, é um desses. Conduz consigo também velhas práticas do centralismo democrático, mas, sempre que pode, mantém o zelo por seus mitos, entre eles Fidel Castro e a famosa ilha de Cuba.
Dias atrás, inclusive, antes que algum mal maior leve Fidel de vez para outro plano, Ricardo foi à Ilha no primeiro de Maio, mas sem poder partilhar olho no olho do carisma do líder cubano.
Poucos sabem, mas o prefeito tem outro xodó no sentido das boas relações internacionais com a embaixada da Venezuela, de Hugo Chaves – independentemente das referências negativas que o presidente venezuelano mantém com as instituições democráticas daquele País.
Sei que o preâmbulo está longo, embora não saiba fazer diferente para destacar uma articulação de alta voltagem que Ricardo anda produzindo com Cuba buscando implantar em João Pessoa o intercâmbio com médicos cubanos para aprimorar o programa de atendimento domiciliar (o PSF), até porque a inspiração inicial no Brasil vem da Ilha.
Olhando assim, tudo bem, nada a se opor. Ocorre que, exemplos recentes acontecidos anos atrás em Palmas (TO), tomando por base essa mesma premissa de intercâmbio, não pode ser ignorada pelo diligente prefeito Ricardo Coutinho porque, como se sabe, lá a crise diplomática foi grande por vários fatores, entre os quais, o curso de Medicina praticado na Ilha não ser reconhecido in totum no Brasil, além do mais como os cubanos tinham tempo temporário de fixação no pais resultado, não se pode renovar na medida pretendida e a crise se estabeleceu gravemente.
Também tem outra coisa: o sucesso do programa em Cuba não pode ignorar no Brasil e em João Pessoa o componente da língua porque o espanhol cubano necessariamente não é entendido, na essência, no dialogo com as camadas sociais à frente podendo gerar também ruído de comunicação e diagnósticos imprecisos para algumas enfermidades.
Dito tudo isso, lembro que o programa cubano é referência mundial, mesmo assim não pode ser tratado ignorando aspectos como levantados pela Coluna.
Como se diz na Torrelândia, depois não diga que Santo Antonio enganou.
Dois toques I
Por força da sobrevivência empresarial, temos sido demandados frequentemente a conviver com várias sociedades nordestinas todos os estados para onde temos ido.
Isso gera sacrifício familiar, também, porque a distancia geográfica tem seu ônus da inoportunidade do carinho doméstico.
Mas, compreendida a missão temporal de cada um, me vejo na capital cearense dialogando com diversas figuras da sociedade local com todos atestando a unidade em defesa, por exemplo, da siderurgia para o Estado mesmo com o aceno da Petrobras em contrário.
Diferentemente da Paraíba, por aqui todos vou repetir TODOS sem exceção estão unidos para exigir do presidente Lula uma reversão de realidade.
Alias, todos dizem que não aceitam outra condição.
Dois toques II
Na segunda-feira passada, ao lado de Carla (alma gêmea) estivemos na inauguração do Salvador Shopping um equipamento gigante na capital soteropolitana.
Pois bem, na hora H do agradecimento, no mesmo palanque estiveram o governador Jaques Wagner, o ex e senador ACM, o ex-governador Paulo Souto, o prefeito atual João Henrique, o anterior Antonio Imbassay, enfim, todos os santos e demônios disseram publicamente que em nome da Bahia nada pode prejudicar os avanços projetados.
Se isso é verdade, fico inquieto e sem querer aceitar causa/efeito para que não tenhamos essa mesma cultura de unidade pela Paraíba, independentemente das querelas políticas.
Por isso estamos atrasados no processo histórico, fato esse que somente as futuras gerações vão dimensionar o impacto.
Mas, enquanto é tempo, o que falta e quem pode gerar essa condição? A sociedade não pode mais esperar!
Última
Mar eu vejo por esta cidade/
Que eu não passo de um lugar comum…