A nova fase de Cícero

Brasília – Não precisa ser sociólogo, não, para identificar a atual fase vivida pelo senador Cícero Lucena, ex-prefeito de João Pessoa. Basta meia dúzia de prosa para arrancar dele uma aura típica de quem, refeito das pancadas, anda ampliando horizontes e se tornado expert com mais dados sobre seu passado e seus convivas – aliados ou adversários.

Cícero não pára de reverberar o contentamento pelo clima e nível de relacionamento que desfruta no Senado, ambiente que os meninos/colegas da Torre costumam chamar de “ante-sal do céu”. Até azul é.

O senador anda envolvido com as temáticas em voga (todas), considera seu relacionamento com a cúpula do PSDB e diversos outros partidos, bem como com senadores individualmente, em caráter extraordinário de bom por isso, além de tantos outros fatores, já decidiu: não será candidato a prefeito da Capital paraibana, como presume-se tanto em João Pessoa.

Antes de chegar à temática nacional entendamos outros aspectos: Cícero acha que o tempo atual está lhe proporcionando condições de se aprimorar muito no domínio dos mais diferentes assuntos de interesse da sociedade como um todo.

A “escola” conjuntural a que se transformou o Senado para ele, implica ainda na maturação política, conforme expôs, dominando melhor as relações partidárias, as avaliações do presente e passado e, sobretudo, na projeção do futuro. Ele se diz convicto de que com os valores absorvidos no presente tem qualificado mais sua vida intelectual, política e até pessoal.

Por isso – e mais, em face de apelo determinante da família, de Luaremília e dos filhos – Cícero não será candidato a prefeito.

Pode ser que, como político não assuma publicamente tal condição, mas na conversa desarmada na intimidade é assim que ele se posiciona.

Só que, essa projeção e condição política assumida está longe de temer ou se ausentar do debate com o atual prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, à quem trata avaliando com resultados abaixo do prometido e até mesmo, se comparando, do seu governo na prefeitura.

– Concretamente, rápido, diga qual ou quais as obras relevantes de Ricardo Coutinho? – é assim que Cícero, comumente, começa qualquer debate ou avaliação quando se trata de João Pessoa.

E ele nem deixa ninguém responder para alinhar: “há um trabalho aparentemente novo de zelar pela cidade ajeitando meio-fio ou reasfaltando avenidas, como a Epitácio Pessoa, cuja ação serviu apenas ( e a sociedade não se apercebeu) para retirar no canteiro central as pedras formando um desenho de coração, que deixei quando prefeito. Essa, sim, foi a motivação central”.

– Mas, Ricardo saneou…Cicero corta e rebate na bucha: “Ao contrário do que ele disse, a prefeitura que ele encontrou estava com dinheiro em caixa, logo bem administrada financeiramente, além do mais todas as secretarias dispunham de resultados como nunca se viu, inclusive a estrutura administrativa da prefeitura e seus dedicados funcionários”.

Cícero acha que a classe média da Capital incorporou um sentimento de aprovação sem avaliar a fundo o significado de uma gestão municipal no sentido de transformação positiva.

– Veja a obra do Retão de Manaira, que é um retoque do que fizemos, mesmo assim a fase decantada por ele não dimensiona que se trata de uma ação do empresário Roberto Santiago e a parte da prefeitura ele não fez – declara.

Mais na frente, contudo, o senador avalia o passado recente e reconhece que problemas vividos com a Mídia e a exploração continuada da Operação Confraria lhe geraram problemas políticos, em parte superados com a eleição no Senado servindo de contra-ponto ou retomada de sua participação no debate público do Estado. Ele mesmo se pronuncia:

– Há uma conversa de que trabalhei muito no primeiro mandato e no segundo relaxei, mas isso não procede. Quem quiser pode ter acesso aos números provando que fiz muito mais em termos de obras e ações do que quando da primeira fase de mandato – repete.

Cícero enumera ações que passam pela estruturação da maquina administrativa ( sede em Água Fria além de cargos e salários), pelo Centro Histórico de João Pessoa, a retirada do Lixão do Roger, a melhoria dos acessos vicinais aos bairros, a diminuição do analfabetismo em patamar reconhecido, segundo ele, pelas instancias nacionais, o PSF em número 12 vezes o tamanho que encontrou, a Cultura, etc.

Esses dados do ex-prefeito, anotem, vão servir de base para o próximo debate sobre a realidade da prefeitura da Capital podendo, como vai querer Cícero, ir a público fazer uma comparação entre o atual e anterior mandato na prefeitura, segundo ele próprio antecipou.

Sobre nomes a sucede-lo na disputa em si na prefeitura, ele aponta alguns mas, nota-se, sem a segurança de estar diante de um adversário à altura da estatura vivenciada por RC. Acha que Ruy Carneiro perdeu o timing e, proximamente, voltará a falar sobre o assunto.

Agora, que o debate vai ‘comer-no-centro’ e sem medo de Ricardo, ah! disso não tenham dúvidas.

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