Ricardo: só resta o povo

Há na cidade, espalhadas pelos quatro cantos, pichações com foco e recado bem claro. Dizem elas: ‘Deixem o Mago Trabalhar’ – numa alusão adaptada da estrofe famosa usada por Lula na campanha presidencial, recém concluída.

Em tese, sem conseguir identificar os reais pichadores, presume-se que no recado esteja implícita a autoria, isto é, aliados do prefeito Ricardo Coutinho, que entre amigos volta e meia o prefeito é chamado de Mago – fazendo justiça ao seu porte físico distante da obesidade.

Esta é, na atual realidade, a aura que resta, o manto político propulsor a garantir fôlego do prefeito e diante de inúmeros dissabores acumulados recentemente na relação com a classe política, ou seja, com a Oposição na Câmara.

O fato de ter perdido pela segunda vez a disputa na composição da Câmara se, de um lado, reflete revés dobrado, do outro conduz Ricardo a repetir o chavão de que não está disposto a qualquer negócio para vencer a eleição a qualquer preço.

Não sei exatamente o tamanho das ofertas que dizem ter existido. Um dos nomes mais influentes da Oposição, o senador eleito Cícero Lucena nos garantiu, por telefone, que inexistiu dinheiro na jogada para atrair os 3 “Cavaleiros do Apocalipse”, que foram 4 ( mais o mestre Fuba no vai-não-vai). “Essa é a pecha de quem não quer aceitar o resultado, pois asseguro não ter havido bolsa de negócios”.

Pelo sim, pelo não, o fato é que Ricardo cada vez mais se credencia como “duro na queda”, isto é, não se dispõe a “lotear” o dinheiro público amargando com isso a condição de ter uma Oposição severa, mesmo assim ele não se intimida.

Ricardo, no silêncio dos seus acertos e erros, perde no convívio com os políticos mas acumula um diálogo de aprovação com a maioria da sociedade, embora encare resistência ali ou acolá de setores que lhe fazem questionamento por vários motivos.

Mas, em que pese todas as condições, o prefeito anda cacifado pela administração operosa dos últimos 2 anos e vai assim, de mansinho, convivendo com a difícil capacidade de saber, no mínimo, ter o apoio do povo – este o maior eleitor do pedaço.

Esta é a diferença.

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