A serviço do caos

O efeito esperado da bem engendrada ação dos vereadores de Oposição atrapalhando a aprovação do reajuste salarial enviado pelo prefeito Ricardo Coutinho já está nas ruas. Hoje, o presidente do Sindicato dos Servidores, Daniel de Assis, fez o reforço para inviabilizar ou colocar catinga (gosto ruim) nas conquistas políticas de RC: anunciou perspectiva de greve.

A condição básica é a mesma: se for adiado o instante da aplicação do aumento salarial, lá vem greve por tempo indeterminado.

É aí, exatamente na radicalidade extemporânea do movimento dos servidores, que percebe-se sem dificuldades a interação bem feita entre Oposição e setores da liderança funcional contribuindo para gerar desgastes à imagem do prefeito nutrindo, deixando bem taludo, a vertente comandada por Cícero Lucena – o principal operador de todas as articulações.

Só que a condição aguda, radical dos servidores não enxergou ainda que a sociedade – tanto interna (funcionários) quanto externa (povo) – mesmo confusa em meio ao embate entre Oposição e Governo tem posição favorável à aplicação do reajuste pela Prefeitura até pelos patamares – faz tempo não se vida por aqui.

É uma questão de lógica: ora, se antigas reivindicações estão sendo reparadas em tão exíguo tempo de administração; se os pontos mais polêmicos foram negociados até a madrugada do dia anterior à votação; e, tudo se transforma na manhã seguinte até envolvendo “aliados” do governo é de presumir a fragilidade política do Governo e, em alguns casos, o mau caratismo rondando as relações políticas.

Deve ser mais do que isso: o “aparelhamento” feito hoje com a manutenção do “gá$” para sustentar alguns vereadores tem sido forte suficiente para impedir que acordos celebrados sejam desfeitos descaradamente em face da política do caos.

Tudo bem que existe manobra, jogo de recuo e avanços, mas no caso em tela – como costuma dizer tanto o jurista Edisio Souto, entretanto, a “guerra”da sucessão para o Governo se instalou de vez na Câmara Municipal visando inviabilizar Ricardo e, na busca de desgaste, fazer o mesmo na direção do senador Maranhão.

Se vão conseguir, ainda há tempo para avaliar, mas se depender das pesquisas e das ações públicas e administrativas de RC pelo menos até agora o efeito tem virado contra o criador.

No caso do reajuste há nítida indisposição política – e só – mesmo com arroubos de discursos jurídicos em causas nas quais o Legislativo não pode se intrometer, mas vai gerando problemas, muitos problemas correndo risco de uma dessas pedras cair sobre a própria cabeça.

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