Exército, ruas e perigo

Rio de Janeiro – Há por aqui, basta perguntar a qualquer homem ou mulher do povo, um sentimento de ‘falsa’ tranquilidade depois da ocupação de parte dos morros cariocas pelo Exército que, basta fazer qualquer pesquisa, até mesmo fajuta, para atestar o quanto as pessoas querem ver os milicos mantidos na missão.

O fato em si da presença reflui impressionantemente entre quem mora ou quem passa pelo Rio acatando o mesmo sentimento de maior segurança, mesmo que já existam movimentos isolados tentando contestar para tirar o Exercito de uma função que, numa sociedade bem resolvida, era papel da policia – somente e só.

Mas, no episódio de agora, os bandidos foram longe demais. Aliás devem estar muito por perto, inclusive das Forças Armadas porque é inadmissível que, num quartel de força máximo com do Exercito, um grupo entre, roube armamentos e saia sem um único rastro qualquer.

Está evidente – e a Inteligência militar não assume – que o tráfico, isto é, a bandidagem já está por dentro dessas organizações, o que muito preocupa, porque do contrário jamais se veria tamanha afronta a um dos símbolos e esteios da sociedade, sem dúvidas o Exército.

Ora, quanto assume o comando de subir e descer morros em busca dos 18 fuzis o Exército assume a missão devida às policias militar e civil do Rio, também infiltradas de “comparsas”nessas instituições, tanto que banalizaram a relação nos morros e já não controlam mais as áreas estratégicas, hoje sob o domínio do tráfico.

Quando o Exército toma conta mostra força plena, até na exorbitação porque como não conhece ninguém nos morros trata negros pobres como bandidos, diferentemente do que não fazem quando estão diante de engomados, empalitozados e cheirosos homens – bandidos dos bairros nobres do Rio, responsáveis pelo consumo e mercado de drogas.

É dentro desse cenário que, embora a população adore experimentar tranqüilidade nas noites e madrugadas – como ouvi de tantos taxistas – a operação ao se estender se torna perigosa porque expõe a nulidade da ação policial normal e interfere em questões constitucionais plenas, como diria o professor José Edisio Souto, do alto de sua catedrática sapiência.

Aliás, para que está servindo a Tropa Especial de Elite treinada inclusive em João Pessoa, senão para mostrar-se inapta ainda e sem sentido, quando bem poderia já estar em cena plenamente, ao invés do Exército.

Ah, deu para perceber que alguns dos militares pareciam (ou parecem) estar com saudades dos tempos da porrada, das caças às bruchas, tempo que não se justifica nem adianta mais esse expediente buscar.

Trocando em miúdos, já está na hora do Exército assumir seu lugar expulsando os maus militares, qualificando sua Inteligência e voltar à caserna – agora passando o controle dos morros às policiais responsáveis pela missão. Do contrário é dizer à sociedade que nossas policias já não vale mais de nada – o que não é verdade.

Como dizia Maria Júlia, no alto de sua sabedoria torrelandense, cada macaco no seu galho.

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