Um gesto comum numa sociedade civilizada, isto é, o encontro entre autoridades constituídas transformou-se, ontem, em João Pessoa, em motivo de pirotecnia e festejos do tipo conquista da Copa do Mundo.
Refiro-me, todos já imaginam, à reunião protocolar entre o prefeito Ricardo Coutinho e o governador Cássio Cunha Lima anunciando aos quatro ventos convênios para possibilitar obras e serviços, especialmente no Bessa e no Cidade Verde.
Não há como negar que o tom de civilidade cai bem, serve de mote para referendar os bons costumes nem sempre presentes na aldeia, mas, mesmo levando em conta a primazia das obras, há obrigações dos dois governantes clamados pelos problemas enfrentados pelas duas comunidades (Bessa e Cidade Verde).
A memória recente expõe nas últimas chuvas cenas de alagamentos e dor nessas duas áreas populacionais reclamando providências, muitas delas à época impossíveis de se aplicar porque demandavam, como hoje ainda demanda, de providências legais ( edital de licitação, concorrência, etc), por isso o convênio de ontem é fruto dessa obrigação mais do que favor ou benevolência.
Pelo tom das manchetes dos jornais da Paraíba desta quarta-feira, 2, deu para perceber sem grandes esforços que o governador Cássio faturou, como repercussão, pelo ato de ter ido à prefeitura manifestar o gesto plural de convivência administrativa com um de seus mais fortes concorrentes, sobretudo do futuro, no caso Ricardo Coutinho.
Na véspera, com a revelação pelo WSCOM Online antecipando a audiência, a assessoria da Prefeitura correu logo, revelando ao Portal que o prefeito desconhecida a agenda anunciada, portanto, negava sua existência.
Foi a notícia ser veiculada para, na seqüência, a assessoria do Governo do Estado entrar em campo para formalizar o pedido de audiência, agora sem os assessores do prefeitos se manifestarem mais confirmando o encontro que se efetivou.
Mas, a postura do governador buscando o administrador-adversário em sua própria casa acabou servindo como manifestação proativa abstraindo desse cenário todos os valores políticos que se tenha por trás desse gesto.
Pelo sim, pelo não, Cássio chega ao centro-foco principal do terreiro mais complicado de sua gestão (João Pessoa), dentro da tática de percorrer as cidades, saindo do episódio com pontos mais positivos do que contrários.
Daí ser plausível não considerá-lo eleitoral e oliticamente fora de jogo, que não está.
Como agente político anda pra lá de esperto.