O novo instante do relacionamento político entre o Sistema Correio e o Governo Cássio ou vice-versa faz parte de um processo continuado em que as partes buscam, cada uma à sua forma, se manter acima das circunstâncias para poder vingar suas condições, na essência sem sempre uniformes.
É fácil, hoje, de entender, sobretudo se levado em contado o processo anterior em que o Governo Cássio tentou quebrar o Sistema Correio e não conseguiu, na contra-ofensiva de uma estratégia que fomentou na empresa formas de sobrevivência apesar das verbas governamentais, e da política de ódio posta em prática na relação.
Quem é do ramo sabe que foram meses de muitas dificuldades para o Sistema redundando até em CPI Comissão Parlamentar de Inquérito culminando em pizza porquanto de nada serviu do ponto-de-vista concreto, exceto na construção de nódoa em pessoas de bem.
Passada essa fase, eis que o tino estratégico do advogado Solon Benevides, ungido à condição de mentor e coordenador das ações de comunicação logo percebeu que a manutenção da crise aguda só interessava aos radicais do Grupo Cunha Lima no Governo e ao opositor dele, no caso o senador José Maranhão.
Daí, depois de enfrentar muita resistência interna, acabou convencendoo núcleo central do grupo a ceder na convivência formal e pública com o Sistema Correio, apesar da resistência de Cícero Lucena, o que ainda perdura até hoje.
Só que, ultimamente, o Governo não esconde o desconforto e irritação com a manutenção da linha editorial do Sistema Correio abrigando espaços de informação e de opinião, em diversos casos contrários ao Governo, mesmo com a propaganda farta dizendo que há ação em todo Estado.
Por trás da irritação ainda reside a sombra do senador Maranhão, principal adversário do governador Cássio, pela condição próxima que tem com o empresário Roberto Cavalcanti até pela condição de suplente de senador estar sendo encarada com sinal de preferência pelo parlamentar.
Na verdade, mais uma vez Roberto Cavalcanti e o Sistema Correio se inserem no mercado com projetos de preservação de conquistas acima das crises e circunstâncias, mesmo que usufrua das relações políticas para ampliar os horizontes e mercado.
Pior para o Governo será aguçar novamente a crise com o Sistema. Daí lembrar aquela velha cantiga: se correr o bicho pega/ se ficar o bicho come.