Pai de sempre

Para Vinicius,Pablo (filhos), Fernanda e George (sobrinhos)

Pode olhar ao lado que algum parente ou amigo deve ser visto neste domingo, desolado, em busca do pai de carne que não tem. Nos mistérios da vida, o sumiço não é só de morte – esse o mais doído – porque há quem se faça de pai morto pela ausência profunda, outros porque na memória filial a memória por si só é pouca para suprir a saudade.

Só aperto de carne, beijo no rosto, palavras ao ouvido e toque humano parecem servir de maior deleite para traduzir carinho pleno que se busca e quer quando se tem na figura do pai a fortaleza a garantir reforço humano aos desafios dos filhos.

Há muitos pais vítimas deles próprios, sumidos, vergonhosos, quase “mortos” em vida pelo medo de assumir a deficiência em face da opção pela fuga. Na vala dolorosa, infelizmente há os irresponsáveis de vida morrida ou vergonha matada por negar o que só o orgasmo não foi suficiente para nutrir a transformação dos cromossomos.

Outros, como já disse, se expõem no sentimento saudoso para os filhos na dor imorredoura porque, de carne e osso, por aqui já não se encontram. Foram para planos cósmicos só decifrados por Deus e o pranto silencioso da companheira ou do filho que ama.

Na prática, sem receios de incorrer em deslizes, o Dia dos Pais serve muito para o comércio de valores materiais, mas bem que poderia instigar contornos sentimentais profundos para provocar em todos os filhos o compromisso espontâneo de renovar amor mútuo, compreensão tamanha e tolerância plena para construir vida boa para todos.

Impressiona como só quando não se tem o afeto paterno vivo plenamente, por qualquer uma das distâncias, de morte ou sumiço, é que se dimensiona a força insubstituível da figura paterna quando ela existe e funciona como deve ser dado pelo tom divino.

Pai e seus adjetivos – papai, painho, etc – são crianças no fundo do peito forjados à condição adulta de comando para dar rumo à vida de quem gerou fruto de afeto, prazer e futuro. Até desconfortam quando imprimem regras domadoras e incitam “contestação” filial – estes buscando assumir o mundo questionando os pais, mas, em qualquer lugar e momento, ter amparo paterno é conviver com menos perdição e perspectiva de futuro com prumo.

Eu – de minha parte, tanto quanto os manos Duda e Alaíde – cultuamos, hoje, a dor da ausência diante de luzes, de vela ou de gente, clareando nosso futuro lembrando de erros e muitos acertos promovidos por Antonio – Cândido como gente – Santo quando quis, foi e é manto de carinho para filhos tristonhos, mas felizes pelo aprendizado duro da vida.

Como disse o poeta, vivemos a revolução contínua de valor sempre como nossos pais.

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