A maldição do SUPER

A edição de Capa da revista Veja desta semana resume bem, sem nenhum caráter sociológico-acadêmico, a realidade de um estigma comum no Poder, tanto faz na Malandros do Morro, no Palácio a Redenção, do Planalto ou em Washington, capital político do mundo.

Trocando em miúdos, é como se dissesse: não adiantar buscar ou querer ser super secretário ou assessor porque o futuro, inevitavelmente, é a queda. Há quem, afora tudo isso, ainda se depare com o coice,

O caso de Dirceu não é diferente de muitos que já vivenciamos na Paraíba. Cito um, por acaso, mas ilustrador: no Governo Burity não havia ninguém mais poderoso do que Geraldo Medeiros. Mandou e fez tudo o que queria, até o dia em que Burity botou pra fora por vários motivos, entre os quais, querer sobreviver. Hoje, Geraldo é secretário de Planejamento de Patos – o que é muito, mas muito pouco do que fora.

No governo Maranhão, por exemplo, não havia ninguém mais poderoso do Mário Silveira e Sólon Benevides. Os dois brigavam entre si para saber quem mais dava até que o governador optou por Silveira, que acabou brigando com o próprio governador,

Mais proximamente, o maior de todos era sem dúvida Fe4nando Catão, tio e mais influente condutor das políticas até se incompatibilizar e se ver, para sua felicidade, diante da possibilidade de ser, como o é, conselheiro do Tribunal de Contas – condfição essa afeita para pouco. Muito poucos.

O mais emblemático dos casos recentes diz respeito a José Dirceu. Lembro dele na campanha, na formação de Governo, no exercício e agora fora do poder. Com amigos do PT, ousei dizer-me, com orgulho, de ser empreendedor Paraíba, para ele, no máximo, estender a mão e dizer ok.

Das três últimas semanas para cá, encontrei-me com Dirceu quatro vezes – no meio do Congresso Nacional. Em todas elas, fora do poder e nas condições em que me encontra, ele quis saber quem era e até disse: estou à sua inteira disposição. Pensei comigo: agora!

Cá com meus botões, lembrei-me de toda a história, da arrogância e humildade de agora de Dirceu para lembrar uma história antiga dita por Mariz: “se você ver um jabuti em cima de uma estaca, deixe-o onde está porque alguém colocou-o no lugar, pois jabuti não sobe na estaca”.

A propósito, quem é nosso Jabuti, nosso super-secretário, super assessor de agora ?

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