Cássio e Lula: para onde vão

A audiência do governador Cássio Cunha Lima com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comoveu, enquanto repercussão na mídia, muito mais ao esquema político do líder paraibano do que propriamente ao staff emocionalmente debilitado da turma do Palácio do Planalto, embora não se possa abstrair a importância em si do encontro.

Vivemos nacionalmente uma fase atípica, de construção diferente no processo político nacional, portanto, um téte-a-téte entre um Presidente da República e um Governador de Estado há sempre o que se ter como saldo das intenções tratadas, nem sempre reveladas nos releases ou nas declarações.

Falo (melhor dizendo, escrevo) assim porque a pauta exposta, depois da audiência expõe fatos especiais para o contexto da Paraíba ( as obras e serviços, sobretudo) na direção do futuro, mas fico imaginando se depois de um tempo considerável de avaliações, só se tenha tratado de apoio formal à governabilidade já consensual no pais.

A situação de Cássio com Lula é diferente, mesmo com o efeito sanfona – vai e volta – por isso será fundamental saber a minúcia da conversa política porque, se internamente agrada a Lula ter apoio do governador paraibano neste momento, no processo histórico há situações em que, mesmo acenando positivamente, não se consumaram alguns passos sinalizados por Cássio.

Se isso fosse pouco, o Presidente ainda tem de compatibilizar esse cenário inserindo noutro patamar de necessidade umbilical (politicamente tratando) na direção do PMDB, dos senadores José Maranhão (candidato contra Cássio) e Ney Suassuna, líder pemedebista no Senado, inclusive autor de articulações fundamentais para Lula.

Por isso, a importância da audiência não se restringe exclusivamente à pauta de obras ( Centro de Convenções, Bessa, BR-101, BR-230, mais recursos) – o que já seria especial – mas, sobretudo, em identificar como Cássio vai se conduzir partidariamente de agora em diante porque, em se mantendo no PSDB, certamente que criará argumentos para seus oposicionistas reproduzirem de público apoio ao repasse de verbas por Lula e, nos bastidores, gerando as dificuldades possíveis ao trancamento de tudo , mesmo sem ninguém assumir tal condição.

Fragilizado, Lula precisa de Cássio, mas a recíproca de apoio administrativo é na mesma intensidade na direção do governador. Resta saber, se na mesa, vai caber prato e cadeira para outros comensais de uma salada que tem muita coisa para mostrar, inclusive a parte azeda.

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