A régua e o compasso, como instrumentos de condução de vida desde a infância, me foram repassados em primazia por uma professora de nome Nini, apelido carinhoso irmã de João Fernandes ( um dos bambas do Sesc/Senac) e tia de Hamurabi Duarte, atual do PT de João Pessoa.
Foi com ela que aprendi a ler e escrever cidadão para avaliar a partir das primeiras lições em diante de que a vida é da forma que for dependendo do olhar e das condições de quem a vive e a vê.
Lá atrás, por puro exercício freudeano, lembro da molecada toda na Maroquinha Ramos, no bairro da Torre, buscando aprender formas de sair da pobreza decentemente.
Ainda hoje ouço os gritos de Maria Julia ( minha santa in memoriam) `Menino, corra que está hora de ir para aula com Nini´ dizia minha mãe, esquecendo que a escola era na casa vizinha e eu já não precisava de Alaíde ( mana, querida ) para, pegando na minha mão, conduzir-me até as aulas de soletração das primeiras vogais, consoantes e da famosa tabuada, cuja tarefa tinha complemento de `dever de casa´.
É a partir desse olhar de criança, hoje distante posto que só é permitido tê-lo na memória, que construí com clareza o juízo de valor sobre o mundo e as pessoas.
Tanto arrodeio assim nem precisava serve apenas como introdutório para o exame particular, despretensioso, que faço dos Governos Lula, Cássio e Cícero. No caso de João Pessoa, a análise é diferenciada porque já são 7 anos e não 12 meses nos casos dos governos federal e estadual.
Gilberto Gil deu a Lula nota 7; eu com meu juízo plugado lá em Dona Nini, professora bonita, mas severa, daria 6,8 os quebrados ficam pela oscilação comum nas análises professorais de quem não as tem na plenitude. Aliás a estendo a Cássio.
Em ambos os casos, a lição dura da vida mostrou aos dois que uma coisa é querer, andar falando por aí, e outra é poder exercer na plenitude as promessas de campanha.
Lula, por exemplo, produziu a maior das lições contraditórias mas indispensáveis para um líder de seu tamanho, que foi priorizar a convivência com o capital internacional ( quem diria!) fazendo assim a lição perfeita que deve lhe garantir formas de por em práticas muitas das falas de sua vida na direção social, da diminuição das desigualdades sociais.
No plano estadual, a mesma coisa. Cássio precisou engolir seco, na pele, que nem sempre querer é poder, como foi dito acima. Sua ânsia de realização esbarrou-se nos limites das circunstâncias e de um modelo econômico político a tolher e impedir o que a cabeça pensa e a fala tanto reproduziu em campanha.
Mas, também como Lula, fez a lição de casa. Engalhou-se ali e acolá, entretanto, produziu formas e estrutura que devem lhe trazer melhor rendimento em 2004, mesmo que a visão política adversária não queira ver por outras razões e sentidos.
Nem assim, isso será suficiente para lhe tirar o perfil de um governante que sabe o que diz, tanto que ganhou asas no debate e na exposição diferenciada na mídia nacional.
Caso Cícero I
Pelo conjunto dos 7 anos, que não são 12 meses, Cícero granjeia para si um olhar mais aguçado de aprovação e rejeição, sistematicamente, por sua exposição intensa e os debates tantos, alguns afetando sua imagem de administrador.
Ainda assim, a nota pelo olhar de Nini, diverge da Oposição que considera a gestão de Cícero como tempo de terra arrasada. Na prática, não é assim.
Caso Cícero II
As pesquisas (todas ) mostram problemas de imagem, mas ele continua sendo importante eleitor da cidade. Pode ser que seja pela nota média 6,5 dada pelo olhar desapaixonado com desempenho diferenciado, de acordo com a matéria (disciplina).
Por esse processo a avaliação pontuará a mais em matérias como lixão, educação, remoção de ambulantes no centro e, para menos, em disciplinas como impostos.
Disciplina inadequada
De todas as lições expostas, no caso dos maiores agentes públicos do Estado ( Cássio e Cícero), vejo que uma que não acrescentou em nada, a não ser o sentimento de ódio sem futuro, foi a crise dos Governos com o Sistema Correio.
Aliás, desde quando o mundo é mundo, diferenças sempre hão de existir mas sem precisar chegar ao tamanho posto nesta questão.
A realidade mostrou que, apesar de todas as investidas, o CORREIO concluiu o ano taludo e com liderança inabalada no mercado.
Oposição real
Como se viu, a Oposição se manteve atenta e cumprindo seu papel de reclamar, instigar e até ver catinga onde não existe. Fez o dever de casa bradando aos quatro cantos, mas amargando, no voto, o predomínio da situação nas votações de todas as matérias.
Vai se manter assim durante o ano de 2004 precisando, mais do que gritar, gerar empatia com o eleitor comum, feito Severino, pai de Tonho, Ana e Fátima amigas decentes de minha infância que tinha o voto igualzinho ao do prefeito, do governador e presidente.
Juízo final
Como aprendi lá na escola de Nini, irmã de Tito, é preciso investir mais em educação. Foi ela quem deu as condições para que possa estar hoje tratando de personagens da magnitude e condições com o mesmo sentimento de dever cumprido na lição dentro e fora de casa.
Tomara que nas promessas que háo de vir possam existir na prática formas de fazer com que outros amigos de infância saiam da inanição econômica e possam viver decentemente.
No mais, obrigado pela paciência, os erros, os acertos e o compromisso de honrar a vida com equilíbrio comum aos librianos de fé.
Permitam-me oferecer a mão, se quiserem um beijo fraterno no coração de todos.
Última
`Por mais que seu sofra/
obrigado, senhor, por mais um dia…´