O timing da CPI

O depoimento do superintendente do Sistema Correio, executivo Alexandre Jubert, ontem, na CPI, diante do relator deputado Gilvan Freire, consolidou a versão da parte mais afetada até agora com a série de acusações mostrando que os processos da empresa com o Governo anterior tinham amparo legal.
    
Durante as horas de depoimentos e indagações, dois dos processos mereceram a ocupação de maior tempo no debate para esclarecimentos. Um, que dizia respeito a contrato com o Projeto Cooperar na ordem de R$ 300 mil e outro tratando da publicação às segundas – feiras em caráter exclusivo.
    
No primeiro caso, Jubert explicou que tratou pessoalmente da formatação do contrato com caráter verbal sem, entretanto, até agora ter recebido o correspondente ao referido acerto comercial. Foi o suficiente para ter a contestação do relator por entender a questão como confissão de culpa no que mereceu tréplica em contrário do executivo do Sistema Correio.
    
Na outra questão mais polêmica, da edição às segundas, o dirigente exibiu parecer do Tribunal de Contas atestando que o contrato tinha natureza legal por se tratar de único veículo de comunicação a ter edições nesse dia da semana, o que dispensaria licitação.
    
Os adornos durante toda a sessão especial buscaram em cada questionamento da base governista vincular as informações do executivo com envolvimento de outras figuras do contexto empresarial e político sem, contudo, oferecer saldo de descoberta grave nos temas abordados.
    
A sessão chegou ao seu último segundo com o relator repetindo o mesmo tom crítico de denúncias, mas sem oferecer, como pretendido, o desvendamento de falcatruas em nível exorbitante ou de qualquer natureza.
    
A impressão que ficou, depois deste último momento na Assembléia, é que a CPI do Correio aventa irregularidades sem comprovação até agora de faltas graves porquanto as modalidades contratuais apresentadas esvaziam o caráter de escândalo.
    
Ou seja, o questionamento do acerto verbal/pessoal no acordo comercial para a publicação de matérias do Cooperar aparece pela condição especial posta em prática, mas nem por isso a opção produzida difere do que existe no mercado local quando das reservas e autorizações de material publicitário feitas por telefone.
    
O contexto agora apresentado dimensiona a CPI como fruto de um conflito de relacionamento institucional entre o Governo e o Sistema Correio em face da última disputa eleitoral em 2002 motivando o próprio governador Cássio Cunha Lima a estimular a apuração de denúncias de irregularidades a ele chegadas , cujo processo tende a apresentar no final resultados afetados pelo tom político na condução da Comissão.
    
Lembra, em tese, sem dificuldade de entendimento, idêntico processo de CPI na Cinep ano passado expondo números e dados com natureza de escândalo, mas que acabou sendo absorvidos pela sociedade como instrumento da briga política em curso no Estado.

Tanto que, a exceção de Abdias Sá – lamentavelmente, hoje, morto – até agora nenhum dos nomes envolvidos mereceu qualquer tipo de punição seqüente, visto que a força política do que cada um representa no contexto da sociedade leva à crença de se tratar de briga de gente grande, da qual poucos têm ficha para entrar no jogo.
    
O destino de agora, apesar da zoada, parece ser o mesmo.
    
Acordo condicionado

O PT e o PSDB em João Pessoa está condicionada, exclusivamente, ao apoio à candidatura de Avenzoar Arruda como cabeça-de-chapa.
    
– Tanto a direção nacional quanto as estadual e municipal estão fechadas com a candidatura de Avenzoar, que é inegociável – afirmou.
    
Se é assim, e se é verdadeiro o processo mantido de conversações, o PSDB para abrir mão da Capital precisaria do espaço em Campina.
    
Pau em Efraim
    
O deputado estadual Tião Gomes saiu do discurso diplomático para jogar duro contra o senador Efraim Morais, ontem, em face da postura assumida pelo parlamentar no Senado em desacordo com a orientação do PSDB estadual e abrir outros entendimentos na Capital.
    
– Efraim não tem compromisso com a Paraíba; ele só pensa nele – afirmou Tião.

O senador, ontem, não se continha de indignado com o discurso do deputado.
    
Sem Esperança
    
… A deputada Lucinha Monteiro jogou um balde de gelo nas especulações de entendimentos para selar a paz em Esperança entre seu grupo e o do deputado federal Armando Abílio.

` Essa possibilidade nunca acontecerá porque não vamos nos juntar com quem nada faz por nossa terra´, disparou.
    
Nada de vice
    
O presidente do PDT, Chico Franca, conversou demoradamente ontem com o presidente do PSDC, Tico Lira, sobre a sucessão municipal, depois do convite recebido para ser vice do Pastor Edvan.
    
Chico falou de seus compromissos com o grupo do governador Cássio, Cícero e Ruy Carneiro.
    
Agora, que balançou, balançou.
    
Umas & Outras
    
… Os depoimentos da CPI do Correio geralmente se davam no auditório Judivan Cabral. Ontem mereceu o plenário do Legislativo.
    
… O superintendente do Sebrae, Marcos Guedes, está estudando a possibilidade de ampla reforma no sistema de microempresa afetando até mesmo o Pessoal.
    
… A propósito, quem chega no fim-de-semana do México é o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, Marcos Borba, que foi à capital mexicana sob as expensas do Sebrae com direito a ajuda de custo na ordem de R$ 11 mil.
    
… Recente auditoria naquele órgão famoso vai estourar já, já.
    
… A 9ª Versão do Fenart chegou com trato diferenciado pra melhor. Tem muita gente nos bastidores merecendo reconhecimento mas, antes de chegar à lista, vale registrou o trabalho de ambientação feito por Sereco.
    
Última
    
` Eu dou a minha face pra bater/
mas se quiser pode beijar…´

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