A juíza do trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, atual presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), recebeu uma remuneração líquida de R$ 113,8 mil em dezembro de 2025. Os dados constam na folha de pagamento do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1).
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A magistrada ganhou destaque recentemente ao atuar como representante da ABMT no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, ela defendeu a manutenção de verbas indenizatórias — popularmente conhecidas como “penduricalhos” — durante o julgamento de uma liminar do ministro Flávio Dino. A decisão de Dino visa restringir esses pagamentos, no que o ministro classificou como uma tentativa de pôr fim ao “Império dos Penduricalhos”.
Em sua manifestação perante o STF, Cláudia Márcia apresentou uma visão crítica sobre a atual situação financeira da categoria. Segundo a magistrada, os juízes enfrentam uma “muita insegurança jurídica” por não terem clareza sobre o montante que receberão ao final do mês, o que dificultaria o planejamento familiar dos magistrados.
Ela chegou a citar exemplos cotidianos para ilustrar as dificuldades da classe, mencionando que muitos juízes estariam pagando despesas como combustível “do próprio bolso”, sem o devido ressarcimento por parte do Estado.
Apesar das queixas sobre a previsibilidade dos rendimentos, o contracheque da juíza aposentada em dezembro revela um montante significativamente superior ao teto constitucional do funcionalismo público, impulsionado justamente por benefícios e vantagens eventuais.
A discussão no STF continua sendo um dos pontos de maior tensão entre o Judiciário e as medidas de controle de gastos públicos, colocando em lados opostos o argumento das associações de classe sobre a “valorização da carreira” e a tese de moralidade administrativa defendida por parte da Corte.