Por: Maria do Desterro Leiros da Costa
Acostumado a exibir
Uma vida de aparência,
Dedicava-se a ostentar
Seu ideal de existência.
Como todo narcisista
Dedicado à egolatria,
Girava em torno de si,
Num palco de fantasia.
Contemplador de si próprio,
Adorador do espelho,
Confabulante ignóbil,
Adepto do mau conselho.
Quando viu-se numa crise
De final de matrimônio,
Fez como faz um covarde:
Foi agarrar-se ao demônio.
Deste recebeu um plano:
Assassinar cada filho.
Planejou cada detalhe:
Hora, cenário, gatilho…
Certificou-se de tudo,
Até ensaiou seu papel,
Empunhando um revólver
Como se fosse um troféu.
No dia por ele escolhido
Para a horrenda crueldade,
Com a frieza de um carrasco,
Exterminou sua herdade.
Não deu valor às lágrimas
Vertidas pelas crianças,
Disparou sem compaixão,
Até findar a matança,
Com o maior já sem vida
E o menor agonizante,
Deu as costas pra escrever
Uma mensagem aviltante;
Tentou se justificar
Usando uma tese pífia,
Repleta de incongruência,
Dissimulação, malícia…
Com argumentos simplórios,
Sobre trama ilegítima,
Fez da sua ex-esposa,
Sua derradeira vítima.
Já estavam separados,
Com guarda compartilhada,
Mas não teve a hombridade
De seguir a própria estrada,
Não respeitou o acordo,
Feito em prévia reunião,
Onde fora declarado
O fim daquela união.
A ela reservou o pior
Da sua torpe vingança:
Arrancar seu coração,
Matando suas crianças.
Típico representante
Do machismo estrutural,
Que incentiva assassinos
Em prol de uma torpe moral.