Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, braço digital do Banco Master

O Banco Central do Brasil (BC) anunciou, nesta terça-feira (20), a decretação da liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição financeira digital controlada pelo Banco Master. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, interrompe as atividades da entidade devido ao que a autoridade monetária classificou como “graves violações às normas legais e regulamentares”.

De acordo com o ato assinado pelo presidente do BC, a medida foi tomada após a identificação de um quadro de insolvência e irregularidades na gestão que comprometiam a continuidade operacional do banco digital. A liquidação extrajudicial é o mecanismo utilizado pelo órgão regulador quando uma instituição financeira não possui mais condições de honrar seus compromissos ou apresenta riscos sistêmicos ao mercado.

A liquidação ocorre meses após o Banco Master ter consolidado o controle da operação do Will Bank, em um movimento que visava fortalecer sua presença no varejo digital. Com o decreto, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis. O BC nomeou um liquidante para conduzir o processo de levantamento de ativos e passivos, visando o pagamento de credores conforme a ordem de preferência legal.

Para os clientes, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve ser acionado. O mecanismo assegura a devolução de depósitos em conta corrente e investimentos em Renda Fixa (como CDBs) até o limite de R$ 250 mil por CPF. O valor total estimado é de R$ 40,6 bilhões e o liquidante deverá fornecer as orientações sobre como os correntistas poderão solicitar o ressarcimento nos próximos dias.

Até o fechamento desta matéria, o Banco Master não havia emitido um comunicado detalhado sobre o impacto da decisão nas demais operações do grupo, limitando-se a informar que está colaborando com as autoridades para garantir a transparência no processo de encerramento das atividades do braço digital.

As investigações policiais sobre a crise no grupo Master avançam em paralelo às decisões regulatórias. Recentemente, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que tem como foco principal a apuração do uso de fundos de investimento para a inflação artificial do patrimônio do Banco Master. Esta nova etapa da operação cumpriu mandados em endereços vinculados a Daniel Vorcaro, controlador do grupo, e a seus familiares. Entre os alvos também estão os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-proprietário da gestora Reag — que também sofreu liquidação pelo Banco Central e é investigada por supostas conexões com o crime organizado.

O histórico da operação remonta a novembro, quando a primeira fase resultou na prisão de Daniel Vorcaro. Na ocasião, ele foi acusado de chefiar um esquema de montagem de carteiras de crédito fictícias, estratégia que teria como objetivo inflar o balanço financeiro do Banco Master para viabilizar uma tentativa de venda ao BRB. Embora tenha sido colocado em liberdade menos de duas semanas após a detenção, Vorcaro permanece sob monitoramento das autoridades por meio de tornozeleira eletrônica.

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