A Petrobras suspendeu temporariamente as atividades de perfuração no poço exploratório Anhangá, localizado na bacia da Foz do Amazonas, após detectar o vazamento de um fluido de máquina. O incidente, ocorrido no dia 4 de janeiro de 2026, marca um revés técnico na região mais sensível e estratégica para a atual política de expansão de fronteiras petrolíferas da estatal.
Segundo informações preliminares, a falha ocorreu no sistema hidráulico de um dos equipamentos da sonda de perfuração. O fluido de máquina — diferente do petróleo, que ainda não foi atingido nesta etapa — vazou em águas profundas, acionando imediatamente os protocolos de segurança e contenção da companhia. Embora o volume seja considerado baixo pela estatal, a natureza da região, próxima à costa do Amapá e a ecossistemas de corais, elevou o nível de alerta das autoridades ambientais.
Quando procurada, a Petrobras afirmou que “o produto atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”, e completou explicando que “a perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo”.
A paralisação ocorre sob os olhares atentos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que já havia demonstrado cautela extrema na concessão da licença para a perfuração do poço Anhangá. Técnicos do órgão ambiental acompanham a investigação das causas do vazamento para avaliar se houve falha humana, fadiga de material ou deficiência nos planos de contingência apresentados pela Petrobras.
Para ambientalistas e comunidades locais, o episódio reforça as críticas sobre os riscos de exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. A Petrobras, por outro lado, sustenta que o sistema de monitoramento funcionou conforme o esperado, interrompendo a operação antes que danos maiores ocorressem.
A interrupção é um golpe no cronograma da Petrobras, que planejava concluir a perfuração deste poço até o final do primeiro trimestre de 2026 para confirmar o potencial comercial da reserva. A Margem Equatorial é vista pelo governo federal como a “nova fronteira” capaz de sustentar as receitas do país após o declínio natural dos campos do Pré-sal nas próximas décadas.
A retomada das atividades dependerá de uma perícia técnica detalhada e do aval formal do Ibama. Até que a segurança total do sistema seja comprovada, a sonda permanecerá em estado de espera, o que gera custos diários elevados de manutenção da estrutura offshore.
