Falar de Epitácio Pessoa é falar de grandeza cívica com sotaque paraibano. Nascido em Umbuzeiro, no coração da Paraíba, ele carregou para os mais altos cargos da República não apenas a técnica jurídica apurada, mas a identidade firme de um homem moldado pela cultura, pela resiliência e pela altivez do Nordeste.
Sua paraibanidade nunca foi detalhe; foi essência. Em cada decisão, em cada gesto institucional, havia a marca de quem conhecia as agruras do semiárido e compreendia as desigualdades regionais. Epitácio não foi apenas presidente da República entre 1919 e 1922, foi estadista com visão nacional e compromisso federativo. Governou o Brasil num período delicado do pós-Primeira Guerra Mundial, enfrentando tensões políticas e desafios econômicos com serenidade e autoridade.
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Antes da Presidência, já havia consolidado trajetória exemplar: ministro da Justiça, ministro do Supremo Tribunal Federal e representante do Brasil na Conferência de Versalhes. Sua formação jurídica sólida e sua habilidade diplomática revelavam um homem preparado para além das circunstâncias do seu tempo. Era técnico sem perder a sensibilidade política; era firme sem perder o equilíbrio institucional.
Como paraibano, jamais renegou suas raízes. Ao contrário, elevou o nome da Paraíba ao cenário internacional. Num Brasil ainda marcado por disputas oligárquicas e centralização excessiva, Epitácio demonstrava compreensão moderna do papel do Estado, investindo em obras públicas, infraestrutura e políticas voltadas ao desenvolvimento nacional. Sua preocupação com os problemas hídricos do Nordeste evidencia visão estratégica que ainda hoje ressoa.
Homem público extraordinário, não apenas pelos cargos que ocupou, mas pela postura que manteve. Em tempos de personalismos exacerbados, sua figura impunha respeito pela sobriedade e pela inteligência. Não buscava aplausos fáceis; buscava soluções duradouras.
Epitácio Pessoa foi além do seu tempo porque compreendeu que a política deve ser instrumento de construção institucional e não palco de vaidades efêmeras. Sua biografia é testemunho de que é possível exercer o poder com erudição, dignidade e compromisso republicano.
A Paraíba o gerou. O Brasil o consagrou. A História o preserva.