A Associação Guajiru deu início, neste mês de fevereiro, a uma nova etapa estratégica para a preservação da biodiversidade no litoral paraibano: a marcação de tartarugas-marinhas em áreas de desova. A iniciativa, que une ciência e monitoramento de campo, visa acompanhar o comportamento migratório, as taxas de reprodução e a fidelidade das fêmeas às praias locais ao longo dos anos.
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Para viabilizar a marcação, equipes de voluntários intensificaram o monitoramento noturno em trechos críticos de desova, como as praias de Intermares (Cabedelo), além do Bessa e Jardim Oceania (João Pessoa). O esforço já apresenta resultados imediatos: em menos de uma semana, duas fêmeas foram identificadas e marcadas, com o primeiro registro ocorrendo na orla do Jardim Oceania.
Segundo a bióloga e vice-presidente da Guajiru, Juliana Galvão, o início dessas atividades representa um salto na produção de dados científicos locais, fundamentais para a criação de políticas públicas de proteção ambiental.
“Com o desdobramento da ação, a Associação Guajiru iniciou o monitoramento noturno nas áreas de maior desova, fortalecendo a proteção das fêmeas, a identificação de ninhos e a coleta de dados para a conservação das espécies. O início dessa atividade representa um avanço significativo no fortalecimento da pesquisa científica local e de políticas públicas”, explicou.
O procedimento de identificação utiliza anilhas metálicas (tags) com códigos únicos, aplicadas nas nadadeiras anteriores das tartarugas. A aplicação ocorre durante o “transe reprodutivo” da fêmea, momento em que o animal está focado na postura dos ovos, minimizando o estresse. Essas marcas funcionam como um “RG” do animal, permitindo que pesquisadores ao redor do mundo saibam se uma tartaruga avistada em outro país já passou pela costa paraibana.
A implementação da metodologia na Paraíba contou com uma preparação rigorosa. As biólogas Danielle Siqueira (presidente da Guajiru) e Juliana Galvão passaram por treinamento especializado na Fundação Tamar, no Espírito Santo, em novembro de 2025, para replicar as melhores práticas já adotadas em estados como Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Rede de apoio
O projeto é viabilizado por meio de parcerias com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Paraíba e o setor privado (Construtora IDO e ClubSystem). A colaboração da sociedade também é um pilar essencial do programa:
- Encontrou uma tartaruga com marcação? Se o animal for encontrado morto, a recomendação é não retirar a tag. A marca é vital para o banco de dados da pesquisa.
- Como proceder: Fotografe a marcação e informe imediatamente à Associação Guajiru pelo canal de emergência SOS: (83) 99608-5226.