Postos de combustíveis de Campina Grande viram alvos de investigação do MP por suposto cartel

Um suposto esquema de alinhamento de preços em postos de combustíveis está sendo investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). A denúncia, oficializada nesta semana pelo Procon de Campina Grande, aponta indícios de formação de cartel após um aumento coordenado de aproximadamente R$ 0,30 no litro da gasolina no final de 2025.

O levantamento realizado pelo órgão de defesa do consumidor identificou uma coincidência estatística atípica: dos 62 postos de combustíveis em atividade na cidade, 42 estavam praticando exatamente o mesmo valor de venda para a gasolina comum: R$ 5,99. A suspeita de cartel fundamenta-se na rapidez e na uniformidade com que o reajuste foi aplicado em dezenas de estabelecimentos concorrentes, sem uma variação de custos que justificasse tal sincronia.

O Procon-CG notificou todos os estabelecimentos para que apresentem, em notas fiscais e documentos contábeis, as justificativas para o aumento. Segundo o coordenador do órgão, Waldeny Santana, alguns postos já não conseguiram fornecer explicações satisfatórias que comprovem a necessidade do reajuste de forma proporcional aos custos de aquisição do produto.

O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Sindipostos) nega a prática abusiva. O presidente da entidade, Bruno Agra, argumenta que o reajuste reflete fatores externos, como o fim da safra do etanol — que compõe 30% da mistura da gasolina C — e o aumento na alíquota do ICMS. Segundo o representante, as margens de lucro do setor no município permanecem abaixo do teto permitido pela legislação brasileira.

“O que aconteceu nesse último período, de dezembro a janeiro, foi o término da safra do etanol. Metade do ano tem produção de etanol e a outra metade do ano não tem produção. Inclusive, nessa metade que teve produção, é necessário ter estoques, tendo em vista que 30% da gasolina C é etanol, para suprir esses outros seis meses. É a lei da oferta e da procura. Não há produção, infelizmente, o valor aumentou e houve reflexo na gasolina”, afirmou.

A representação agora está sob análise do MPPB, que decidirá sobre a abertura de um processo administrativo ou ação civil pública. Caso a formação de cartel seja comprovada, os estabelecimentos envolvidos podem sofrer multas pesadas e até a suspensão do alvará de funcionamento. O Procon orienta que os consumidores continuem pesquisando e denunciem variações suspeitas através dos canais oficiais.

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