O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a questionar, nesta terça-feira (20), a eficácia das instituições multilaterais ao sugerir que a Organização das Nações Unidas (ONU) pode ser substituída pelo novo “Conselho de Paz” criado recentemente no seu governo. A declaração foi feita durante um evento na Flórida, onde o republicano criticou duramente a atual estrutura da diplomacia global, classificando-a como obsoleta e incapaz de prevenir conflitos internacionais.
De acordo com o presidente, a ONU falhou em sua missão principal de manter a segurança mundial. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura do seu potencial”, declarou. Em seguida, reforçou sua posição ao afirmar: “A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu resolvi. Eu nunca recorri a eles, nunca sequer pensei em recorrer”.
A criação do Conselho de Paz mencionado por Trump ocorreu sob o pretexto de viabilizar um acordo de cessar-fogo para o conflito entre Israel e o povo palestino na Faixa de Gaza. Como parte da estratégia de implementação, o presidente norte-americano estendeu convites a diversas autoridades globais para comporem o painel, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Contudo, a iniciativa enfrenta resistência no cenário diplomático e ainda não consolidou uma adesão robusta. O presidente da França, Emmanuel Macron, já sinalizou que deve recusar o convite, justificando sua cautela com incertezas sobre as reais atribuições e o alcance jurídico do novo órgão. Até o momento, a recepção da proposta liderada por Trump é classificada como dividida entre as principais potências internacionais.
Trump defendeu que o novo órgão seria composto por um grupo seleto de nações focadas em resultados práticos e na resolução direta de guerras, em vez de discussões burocráticas.
“O mundo mudou e a ONU não acompanhou. Precisamos de algo que funcione, um Conselho de Paz que realmente coloque ordem e não apenas emita notas de repúdio”, afirmou Trump, sinalizando uma possível ruptura com o modelo de governança estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.
A proposta surge em um momento de alta tensão geopolítica e reforça a retórica de “América Primeiro” adotada pelo governo dos EUA. Críticos e diplomatas internacionais, no entanto, alertam que o enfraquecimento da ONU pode gerar um vácuo de poder e desestabilizar ainda mais as relações entre as grandes potências.
Em resposta às declarações do presidente norte-americano, a ONU manifestou-se oficialmente ainda nesta terça-feira, reafirmando sua permanência como peça central da diplomacia global. O principal responsável humanitário da organização, Tom Fletcher, rechaçou categoricamente a ideia de substituição da entidade. Em entrevista concedida à CNN, o porta-voz foi enfático ao declarar: “Está claro para mim, e para meus colegas também, que as Nações Unidas não vão a lugar nenhum”.
O posicionamento de Fletcher acirra o confronto direto entre o projeto de governo de Trump e a estrutura das Nações Unidas. O embate expõe visões opostas sobre a eficácia do multilateralismo e o futuro das instituições internacionais na mediação de crises, ocorrendo justamente em um período de instabilidade e tensões persistentes na geopolítica mundial.