Cansaço, fraqueza e queda de cabelo podem indicar deficiência nutricional; médica explica quando investigar

Endocrinologista e professora da Afya Paraíba, Roseane Modesto explica os sinais de alerta, a importância dos exames e os riscos do uso de suplementos sem orientação profissional

Cansaço que persiste mesmo após uma noite de sono, fraqueza durante as atividades cotidianas e queda de cabelo acima do habitual. Embora esses sinais sejam frequentemente associados à rotina agitada, ao estresse e às noites mal dormidas, também podem indicar deficiências nutricionais. Identificar a causa, porém, exige avaliação médica, já que os sintomas podem estar relacionados a diferentes condições de saúde.

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A endocrinologista e professora da Afya Paraíba, Roseane Modesto, explica que a suspeita de deficiência nutricional ganha força quando os sintomas persistem e há fatores de risco associados. “Esses sintomas sugerem deficiência nutricional quando surgem de forma persistente, acompanhados de fatores de risco, como dietas restritivas, cirurgia bariátrica, doenças disabsortivas ou perda sanguínea aumentada, e quando não há resposta a repouso ou manejo do estresse”, explica.

Ferro e vitaminas estão entre os nutrientes que merecem atenção

A deficiência de ferro está entre as causas conhecidas de cansaço e fraqueza, especialmente quando evolui para anemia. O quadro pode provocar palidez, falta de ar aos esforços, tontura e palpitações, além de estar associado à queda de cabelo.

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A vitamina B12 e o folato, também conhecido como vitamina B9, são importantes para a formação das células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso. Quando estão em falta, podem causar anemia e fadiga. “O ferro é um dos nutrientes mais associados a esse conjunto de sintomas. A anemia ferropriva é uma causa clássica de fadiga, fraqueza, palidez e queda capilar”, destaca a professora.

Outros nutrientes também participam de funções importantes no organismo. A vitamina D contribui para a saúde óssea e muscular, enquanto o zinco está envolvido na manutenção dos tecidos. A biotina, ou vitamina B7, também participa de processos relacionados à saúde dos cabelos, da pele e das unhas. No entanto, a queda capilar isolada não permite identificar uma deficiência nutricional, e a suplementação desses nutrientes não é necessariamente indicada para quem não apresenta deficiência.

Sintomas semelhantes também podem estar relacionados a alterações hormonais, como o hipotireoidismo, além de estresse, privação de sono e outras condições clínicas. Por isso, o histórico de saúde e a evolução do quadro são importantes para direcionar a investigação.

“O estresse agudo, as alterações do sono e as flutuações hormonais, como as que ocorrem no pós-parto, costumam ter fatores desencadeantes identificáveis. Já algumas deficiências nutricionais se instalam de maneira mais gradual e progressiva”, explica Roseane Modesto.

Alimentação equilibrada não elimina todas as possibilidades

Embora uma alimentação variada seja fundamental para a saúde, alguns fatores podem comprometer a absorção ou o aproveitamento dos nutrientes pelo organismo. Isso pode ocorrer em pessoas com doenças intestinais, que passaram por cirurgia bariátrica ou fazem uso prolongado de determinados medicamentos. Gestantes e lactantes também podem apresentar necessidades nutricionais específicas.

“Ter uma boa oferta de nutrientes na alimentação não garante, necessariamente, absorção ou aproveitamento adequados pelo organismo”, esclarece a endocrinologista.

Conforme os sintomas e os fatores de risco identificados, a avaliação médica pode incluir hemograma, dosagem de ferritina e outros exames relacionados ao metabolismo do ferro, além de dosagens de vitamina B12, folato e vitamina D. Testes de função tireoidiana também podem ser indicados para investigar outras possíveis causas.

A escolha dos exames depende da avaliação individual. “A solicitação deve ser individualizada, de acordo com a avaliação clínica”, orienta a professora.

Suplementação sem orientação pode trazer riscos

A popularização de vitaminas e minerais em cápsulas, comprimidos e pós leva algumas pessoas a recorrer a esses produtos ao perceber os primeiros sinais de cansaço ou queda capilar. A prática, no entanto, pode atrasar a identificação da causa dos sintomas e provocar efeitos adversos. “Suplementar nutrientes sem diagnóstico pode mascarar condições graves subjacentes, como sangramentos gastrointestinais ocultos no caso do ferro”, alerta Roseane Modesto.

O consumo excessivo também pode prejudicar a saúde. Doses elevadas de vitamina D podem provocar aumento do cálcio no sangue, com risco de lesões renais. O excesso de vitamina A pode causar toxicidade hepática e queda de cabelo, enquanto quantidades elevadas de ferro podem comprometer órgãos como o fígado e o coração. Alguns minerais, por sua vez, podem interferir na absorção de outros nutrientes.

“As vitaminas lipossolúveis, como A e D, podem se acumular no organismo. O excesso de vitamina A pode causar toxicidade hepática e queda de cabelo, enquanto o excesso de vitamina D pode provocar hipercalcemia, calcificação vascular e lesão renal. Até mesmo nutrientes necessários ao funcionamento do organismo podem causar danos quando utilizados em doses elevadas e sem acompanhamento”, explica a endocrinologista.

Quando procurar atendimento médico?

A recomendação é buscar avaliação quando o cansaço, a fraqueza ou a queda de cabelo persistirem por duas a três semanas sem causa evidente, prejudicarem a rotina ou vierem acompanhados de outros sintomas. Fraqueza intensa e súbita, falta de ar importante, tonturas acentuadas, perda de peso sem explicação, formigamentos e queda capilar intensa também exigem atenção. Sintomas súbitos ou graves podem justificar atendimento imediato, sem necessidade de aguardar esse período.

Para reduzir o risco de deficiências nutricionais, a médica recomenda uma alimentação diversificada, com frutas, verduras, legumes, leguminosas, proteínas, sementes e oleaginosas. O acompanhamento profissional também é importante para pessoas com condições que aumentem o risco de deficiência ou que tenham necessidades nutricionais específicas.

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