A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, na Noruega.
Segundo o comitê, a premiação reconhece a trajetória de Pillay na defesa dos direitos humanos e da Justiça internacional. Ao longo de cinco décadas de carreira, ela combateu o apartheid na África do Sul, atuou em tribunais internacionais e ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
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O presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, destacou a atuação da jurista. De acordo com ele, a escolha ocorreu por sua “coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay enfrentou a discriminação racial durante o regime do apartheid. Na década de 1970, ela atuou para garantir que Nelson Mandela e outros presos políticos tivessem acesso a advogados.
Após o fim do regime segregacionista, tornou-se a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte sul-africana, para a qual foi nomeada por Mandela.
Trajetória em tribunais internacionais
A partir de 1995, Pillay passou a atuar em instituições internacionais de Justiça. Ela integrou o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano, e presidiu a corte.
A atuação do tribunal contribuiu para o reconhecimento do estupro como crime de guerra e como instrumento de genocídio em determinadas circunstâncias.
Entre 2008 e 2014, a jurista chefiou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, órgão responsável por acompanhar e denunciar violações de direitos fundamentais em diferentes países.
Mais recentemente, Pillay presidiu uma comissão internacional independente de investigação criada pela ONU para analisar a situação no território palestino ocupado, em Jerusalém Oriental e em Israel. O grupo concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza durante a guerra contra o Hamas. O governo israelense rejeita a acusação.
Comitê vê prêmio como defesa do direito internacional
Durante o anúncio, Frydnes afirmou que a escolha de Pillay também representa uma mensagem aos que, segundo ele, enfraquecem as instituições internacionais.
“Esta é uma mensagem de que o direito internacional e suas instituições são fundamentais para um mundo mais pacífico”, declarou o presidente do comitê.
A fala foi interpretada como uma possível referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem adotado medidas e feito críticas contra instituições multilaterais e internacionais. Pillay também integrou o Tribunal Penal Internacional em sua trajetória profissional.
Ao saber que havia sido escolhida, a jurista afirmou ter ficado surpresa com o resultado. Ela também fez comentários irônicos sobre a possibilidade de dividir o reconhecimento com Trump, que voltou a defender publicamente sua candidatura ao Nobel da Paz.
Reações à premiação
A escolha de Pillay provocou manifestações de autoridades e instituições internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o prêmio homenageia aqueles que trabalham para defender os direitos humanos e fazer valer o direito internacional.
A presidente do Tribunal Penal Internacional, Tomoko Akane, também parabenizou a jurista. Já o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a premiação como uma vitória coletiva da Justiça e dos direitos humanos.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também celebrou o reconhecimento à jurista.
Em sentido contrário, o governo de Israel criticou a escolha e acusou o prêmio de promover o que classificou como “ódio anti-Israel”, em reação à atuação de Pillay na comissão que investigou a guerra em Gaza.
Nobel da Paz tem 144 laureados na história
Com a premiação de 2026, Navi Pillay se tornou a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 laureados registrados na história da categoria.
Além da medalha e do diploma, a vencedora receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.
Neste ano, 287 candidatos foram indicados ao prêmio, sendo 208 pessoas e 79 organizações. Os nomes dos indicados permanecem em sigilo por 50 anos, conforme as regras do Comitê Nobel.
A escolha é feita por um colegiado de cinco integrantes nomeados pelo Parlamento da Noruega.

